O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 05/06/2021

O filme “O quarto de Jack” retrata o dilema vivenciado por Joy e seu filho, que são mantidos em um pequeno quarto, cujo único contato com o mundo exterior é uma clarabóia no teto e a frequente visita do “Velho Nick”. Sob tal cenário, a protagonista é sequestrata na adolescência, é mantida em cativeiro por sete anos e seu filho, Jack, é fruto do abuso sexual imposto por Nick. Ao sair da ficção, percebe-se que, tal como o quadro vivenciado pelos protagonistas do longa-metragem, pessoas desaparecidas são submetidas a quadros de sofrimento. Com base nesse aspecto, é imprescindível analisar a inconsistente deliberação dos casos, bem como o aumento da violência.

Nesse sentido, é válido pontuar que o contexto adverso de desaparecimento possui como ensejo a precária resolução dos casos. Essa questão ocorre devido à negligência governamental que, em face da crescente violência urbana, acaba por delongar a inicialização do processo investigativo - que começa somente 24 horas após a ausência da vítima -, a fim de cuidar de problemas julgados como “mais urgentes”. Tal aspecto é semelhante ao retratado no conto “O país dos Chapéus”, do escritor mineiro Rubem Alves, o qual evidencia medidas ineficazes tomadas para solucionar os problemas sociais de um reino. De maneira análoga, a equivocada concepção de que a espera por um achamento sem diligência imediata é a primeira medida a ser tomada, configura um cenário que facilita a fuga do sequestrador e consolida a persistência do problema.

Outrossim, esse entrave acarreta, como reverberação social, um aumento da marginalidade, visto que o desaparecimento de pessoas é alavanca para demais crimes - como o abuso sexual, o homicídio, o tráfico de órgãos e entre outros. Com isso, a manutenção de tal óbice corrobora um retrocesso na conjuntura brasileira, posto que os sujeitos que poderiam ser utilizados como agentes no mercado de trabalho - e, consequentemente, contribuintes para o desenvolvimento nacional -, por exemplo, acabam por ser ferramentas no aumento da hostilidade. Dessa forma, ao tomar como base o pensamento do escritor Gilberto Dimenstein, para quem “a violência gera violência”, o ciclo da crueldade é sancionado no cenário brasileiro, tornando utópico o ideal de ordem e progresso.

Urge, portanto, que medidas sejam implementadas para resolver o impasse. Sendo assim, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública exigir a fiscalização dos casos, imediatamente após a ausência da vítima. Tal ação será viabilizada por meio de notificações enviadas às delegacias policiais e com o acompanhamento de investigadores, que contarão com equipes direcionadas às proximidades do local onde a vítima desapareceu, a fim de possibilitar uma maior agilidade no achamento dos sujeitos. Assim, o episódio vivenciado por Joy e Jack não será mais recorrente no Brasil.