O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 11/06/2021
A novela “Salve Jorge”, exibida pela rede Globo de televisão, retrata o contexto perturbador acerca do tráfico de mulheres. Na trama, a protagonista “Morena” é ameaçada e obrigada a abandonar sua casa para prostituir-se internacionalmente, o que resulta na desinformação e angústia da família. Fora do ambiente cinematográfico, a realidade é análoga quando se observa os diversos casos de pessoas desaparecidas no Brasil, cenário caótico e preocupante para o corpo social. Nesse contexto, fatores como a lacuna governamental e as causas da alta incidência devem ser analisados.
Diante dessa perspectiva, primordialmente, é fulcral pontuar sobre a lei 13.812, criada somente em 2019. Segundo o regulamento, foi originado um cadastro de pessoas desaparecidas com o objetivo de facilitar a localização das vítimas. Sob tal ótica, percebe-se quão atrasado o país está no que se refere à preocupação e à resolução do impasse, já que apenas em 2019 foi implementada, constitucionalmente, uma intervenção no que concerne à temática. Consequentemente, é imprescindível destacar que, antes dessa premissa constitucional, inúmeros núcleos familiares ficaram desamparados pelo governo, já que não havia ferramentas legislativas auxiliando na busca dos envolvidos. Logo, é mais que notório a negligência governamental para com as famílias e a parcela desaparecida.
Além disso, cabe pontuar sobre os motivos do sumidouro formador desse cenário. Desse modo, a série “Gone”, de 2017, aborda uma das causas presentes no contexto brasileiro, em que uma menina foi sequestrada e ficou desaparecida por anos. Nesse ínterim, as razões podem ser diversas, como menores que saem de suas casas, voluntariamente, devido à violência doméstica; indivíduos com distúrbios psicológicos que adentram as ruas e não conseguem retornar ou sequestros em decorrência de várias circunstâncias, como citada na série. De modo geral, todos os dias, 217 famílias passam pela angústia de ter um ente querido desaparecido, segundo o Anuário de Segurança Pública de 2020, panorama completamente assustador e incabível na contemporaneidade.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar o problema. Em síntese, a mídia, com seu alto poder informativo, deve divulgar frequentemente os casos de desaparecimento, por meio da reserva de horários obrigatórios nas redes de televisão, em que seriam expostas informações sobre as vítimas-nome, idade, altura, características morfológicas-, a fim de auxiliar no encontro e retorno ao lar. Outrossim, as principais mídias, como Instagram, Facebook e Youtube, devem elaborar anúncios com fotos dos envolvidos, com o fito de induzir os internautas a entrarem em contato com a plataforma, em caso de qualquer informação. Por certo, tais casos seriam diminuídos progressivamente e o cenário de “Salve Jorge” ficaria somente na ficção.