O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 12/06/2021

“O importante não é viver, mas viver bem.” Segundo Platão, importante filósofo grego, a qualidade de vida possue tamanha importância que ultrapassa a própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade vivenciada por grande parte da população uma vez que enfrentam o drama das pessoas desaparecidas. Dessa forma, ao invés de aproximar a realidade descrita pelo autor da vivenciada pelo corpo social, a má influência midiática e a insuficiência legislativa contribuem para a persistência dessa situação estarrecedora.

Sob essa ótica, pode-se apontar como empecilho à consolidação de uma solução a má influência midiática. Conforme Pierre Bourdieu o que foi criado como instrumento da democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse sentido, observa-se que a mídia ao invés de fomentar debates que elevem o nível informacional da população sobre o assunto corrobora para a permanência da problemática, uma vez que não promove a devida visibilidade nos casos de desaparecidos, contribuindo assim com a desinformação da sociedade em relação ao assunto e perpetuando o problema.

Outro ponto relevante nessa temática é a insuficiência legislativa. Segundo as teorias do filósofo contratualista Jhon Locke, a morosidade do Estado na busca de uma solução para o problema de desaparecidos no Brasil configura-se como uma ruptura do “contrato social”, já que o governo não cumpre o seu dever de garantir que seus cidadãos desfrutem de seus direitos indispensáveis, como à segurança, liberdade e informação, o que infelizmente é evidente no país. Dessa maneira, o drama vivenciado pelos conhecidos e familiares das vítimas permanece, uma vez que não são dadas respostas efetivas a essas pessoas, perpetuando assim a sensação de abandono por parte do Estado.

Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. Assim, familiares e vítimas, com o apoio de ONGs especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre o desaparecimento de pessoas no Brasil. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível também, criar uma “hashtag” para identificar e dar mais visibilidade ao tema, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto. Além disso, o poder legislativo deve criar leis mais rígidas para a investigação de casos de desaparecimentos, tanto voluntários como involuntários, a fim de corroborar para uma solução efetiva do problema. Talvez assim, seja possível construir um país de que Platão pudesse se orgulhar.