O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 27/09/2021
O romance filosófico “Utopia” – criado pelo escritor inglês Thomas More no século XVI – retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, no entanto, diverge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que o desaparecimento de pessoas ainda é um problema persistente no Brasil. Assim, percebe-se que a baixa visibilidade e negligência estatal são questões relevantes para serem debatidas diante de tal imbróglio.
Diante desse cenário, é crescente a quantidade de desaparecimentos e não é concedida a devida atenção ao assunto. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, divulgado no mês de julho, o número de pessoas desaparecidas no Brasil foi de 62.587. Sob esse triste viés, percebe-se que este é um problema silenciado, uma vez que não há ampla divulgação dessas informações na mídia, por exemplo. Desse modo, esse fato leva à concepção de que as pessoas desaparecidas não tem relevância suficiente na nação, diverge no ideal defendido pelo filósofo Tomás de Aquino, que diz: “todas as pessoas de uma sociedade democrática têm a mesma importância.
Ademais, é válido destacar uma insuficiência do Poder Público no que tange à resolução dos inúmeros desaparecimentos. Segundo o filósofo inglês John Locke, em sua teoria do contrato social, a principal função do Estado é garantir e fornecer os serviços necessários para o bem-estar da coletividade. Diante dessa premissa, os governantes brasileiros tem rompido com o contrato social proposto por Locke, haja vista que não tem tomado medidas para amenizar ou solucionar a questão dos desaparecidos. Dessa forma, as famílias das vítimas experimentam a agonia, estando longe de seu estado de plenitude, verificando-se, logo, uma deplorável divergência entre o contrato de Locke e o governo brasileiro.
Portanto, medidas devem ser colocadas em prática para reduzir o desaparecimento de indivíduos na atualidade. Para isso, o Ministério Público deve chamar a atenção da sociedade para as vítimas, por meio da exibição de fotos de 3 pessoas desaparecidas a cada comercial dos canais de televisão aberta, com os respectivos nome e idade, além da oferta de recompensa, com o objetivo de haver mais olhos à procura desses indivíduos. Feito isso, a perspectiva de More poderia finalmente ser aplicada ao Brasil.