O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 14/11/2021
Durante a Ditadura Militar brasileira, opositores ao governo eram censurados e exilados, deixando amigos e familiares sem explicações para o sumiço. De forma semelhante, na atual Nova República, os números de casos de desaparecimento são crescentes. Nesse contexto, surge o drama das pessoas desaparecidas, em razão da falta de integração regional e de ações preventivas. São prementes, pois, estratégias para combater e prevenir a desaparição.
É fato, em primeira instância, o sofrimento em torno do sumiço de indivíduos ampliado pela falta de integração regional no Brasil. Nesse sentido, a série de livros “Maldosas” retrata o desaparecimento da adolescente Alison, que causa muita angústia nas suas amigas e nos seus familiares. Fora da ficção, ao desaparecer, os indivíduos deixam pessoas próximas transtornadas, sobretudo por não haver uma rede efetiva de comunicações num país de extensões continentais. Isso porque, devido às desaparições envolverem sequestros ou fugas para outras regiões do país, há uma grande dificuldade para a identificação e para ações efetivas, haja vista a ausência de protocolos nacionais em situações de sumiço de pessoas. A dor envolvida no desaparecimento, assim, torna-se duradoura e sem soluções.
Outrossim, vale destacar o drama das pessoas sumidas em razão da falta de ações preventivas. Nesse viés, o filósofo George Santayana afirma que “Aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo”. Sob essa ótica, não reconhecer os dramáticos casos de desaparecimento causados pela escassez de prevenção tende a manter a dificuldade de encontrar pessoas. Diante disso, muitos grupos em vulnerabilidade, como as jovens mulheres, os idosos e as crianças, não recebem a devida proteção dos seus direitos pelo Estado e assistência familiar, fatos que podem fomentar o tráfico de pessoas, a exploração sexual e a violência contra o idoso. Logo, é inegável que a carência de prevenção ao sumiço colabora para o crescimento do número de desaparecimentos..
Infere-se, portanto, o aumento da dramática desaparição de pessoas, em virtude da falta de integração regional e de ações preventivas. Desse modo, é imperioso que o Conselho Federal de Medicina em parceria com o Ministério da Cidadania promovam seminários educativos, em suas plataformas digitais, por meio de mesas redondas e palestras com parentes de pessoas desaparecidas e delegados, acerca da importância de unificar, nacionalmente, os meios de denúncia e de divulgação de fotos e nomes de pessoas sumidas, com o fito de facilitar o reconhecimento e o encontro de desaparecidos. Aliado a isso, é basilar a instrução para familiares de como evitar o sumiço de grupos em vulnerabilidade. Destarte, o Brasil poderá libertar-se do legado ditatorial do crescente número de desaparecidos.