O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 18/11/2021
No filme “Onde Está Segunda?”, é abordada uma realidade futurística centralizando-se o drama de uma família após a filha Segunda misteriosamente desaparecer. Embora ficcional, o enredo desse longa-metragem põe em pauta uma triste conjuntura que persiste em fazer parte do corpo social brasileiro: os casos de desaparecimento. Nesse sentido, é imperioso salientar os fatores contribuintes dessa problemática, a saber, o silenciamento midiático e a leviandade governamental.
Sob esse viés, deve-se ressaltar a subnotificação das redes hodiernas como elemento determinante do imbróglio. Nessa senda, de acordo com a filósofa contemporânea Djamila Ribeiro, o silêncio coletivo é a principal causa para a perpetuação dos entraves presentes na sociedade. À vista disso, essa máxima reverbera no cenário tupiniquim na medida em que os meios de comunicação de massa, a exemplo do Instagram, não utilizam o poder de influência social fornecida a eles para desconstruírem panoramas indubitavelmente preocupantes no tecido civil. Desse modo, apesar do grande alcance gerado por essas ferramentas, a omissão midiática, no que tange ao não compartilhamento difundido de informações acerca da narrativa de desaparecimentos na nação, corrobora a persistência do óbice.
Ademais, é fulcral pontuar a displicência do Estado como um alicerce do estorvo. Nessa ótica, o jornalista Gilberto Dimenstein, na célebre teoria “O Cidadão de Papel”, critica a ineficiência do aparato administrativo em assegurar os direitos normativos dos cidadãos, que, muitas vezes, ficam somente no plano teórico. A partir dessa perspectiva, essa cidadania de papel materializa-se no cenário verde-amarelo, haja vista que as atuais políticas públicas são significativamente ineficazes para conter o sumiço de pessoas no Brasil. Fica claro, pois, que a inoperância da máquina burocrática, perceptível na fragilidade dos órgãos destinados à resolução dos casos, fere o artigo 6 da Constituição Federal e confirma a tese de Dimenstein, contribuindo para a persistência do quadro.
Verifica-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de sanar esse danoso contexto pátrio. Para tanto, urge que as mídias, em parceria com as famílias, promovam, por intermédio de propagandas em redes sociais como Twitter e Instagram, a difusão de fotos e informações sobre os indivíduos em situação de desaparecimento, no intuito de fornecer apoio aos parentes da vítima e minimizar esse panorama no território canarinho. Outrossim, cabe ao Poder Executivo, importante gestor dos interesses comunitários, viabilizar, mediante verbas orçamentarias oferecidas pelo governo, o fortalecimento das instituições especializadas em solucionar as desaparições, objetivando, assim, garantir as cláusulas jurídicas constitucionais da população. Destarte, torna-se-ia possível formar um país que difere do representado na produção audiovisual “Onde Está Segunda?”.