O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 13/11/2021
A obra “Mortos sem Sepultura”, escrita pelo major Marcus Claudino, relata casos reais de pessoas desaparecidas no estado de Santa Catarina entre 1980 e 1990. Assim como retratado na obra supramencionada, o desaparecimento de pessoas é um infortúnio grave e persistente no Brasil. Desse modo, é substancial discutir não somente a situação deplorável à qual milhares de famílias são expostas, mas também os fatores que impedem superar essa realidade nefasta.
Precipuamente, convém salientar que, segundo o Anuário da Segurança Pública de 2020, em média, o Brasil registrou 217 casos de pessoas desaparecidas por dia. Sob esse viés, percebe-se que um número exacerbado de cidadãos deixam suas casas em um dia de rotina, entretanto, desaparecem misteriosamente. Por conseguinte, os entes próximos e amigos são fortemente abalados, seja pela falta de informação, ou por considerarem-se, de certo modo, responsáveis -geralmente quando um familiar desaparece após discussões ou desentendimentos familiares-.
Outrossim, é indubitável que a displicência público-administrativa é um fator chave no agravamento do problema. Acerca dessa premissa, nota-se a refutação do pensamento exposto pela professora da USP Maria Júlia Kovács, segundo o qual o desaparecimento de pessoas é algo coletivo e não excusivamente da família das vítimas. A título de exemplo, é mister citar a inexistência de políticas públicas que busquem atenuar esse cenário maquiavélico, o que só agrava a situação daqueles que procuram por alguém e, de certo modo, perpetua essa situação degradante no Brasil.
Ante os fatos, é imperioso que o Ministério da Justiça, em consoância às escolas de nível fundamental e médio, engaje-se no combate aos pensamentos errôneos em relação ao desaparecimento de pessoas. Para tanto, devem ser disponibilizados psicólogos e investigadores criminais para a realização de palestras semanais que eduquem os cidadãos, desde a tenra idade, acerca das formas de agir em caso de ausência repentina de um ente próximo -sendo a procura policial a atitude correta e imediata-, estimulando ainda rodas de conversa que forneçam o apoio psicológico àqueles que procuram por alguém, reafirmando a gravidade da situação, mas que sentir-se o “responsável” pelo ocorrido não é uma alternativa viável. Tais medidas visam a aniquilação de uma sociedade inábil no que concerne ao desaparecimento de pessoas, mediante o diálogo aberto e, dessa maneira, fazer com que casos semelhantes aos ilustrados pelo major Marcus Claudino, sejam extinguidos da realidade brasileira.