O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 14/11/2021

O processo de urbanização do país, ocorrido na década de 1980, foi acelerado e caótico provocando o “inchamento” das grandes metrópoles. Na carência de um planejamento adequado, os centros urbanos tornaram-se inseguros com taxas alarmantes de crimes no período. Dentre esses, destaca-se a problemática das pessoas desaparecidas, que persiste na realidade brasileira seja pela negligência governamental, seja pelo método de busca empregado.

A partir dessa análise, evidencia-se o papel do Estado enquanto uma das causas da situação. Na perspectiva filosófica de Aristóteles, a Política deve, por meio da justiça, assegurar o bem-estar social. Contudo, percebe-se que, no Brasil, as autoridades governamentais destoam do ideal exposto, haja vista que, embora garantida na Constituição, a segurança e proteção dos cidadãos é em muitos casos insuficiente. Em decorrência disso, criminosos associados ao tráfico de pessoas ou órgãos raptam e sequestram vulneráveis, seguindo impunes por falta de estratégias públicas de defesa.

Ademais, cabe ressaltar as brechas nas técnicas de procura dos desaparecidos. Segundo Max Weber, ação social é uma conduta que, condicionada pelo contexto histórico, também impacta coletivamente o meio em que se insere. Nessa perspectiva, o desaparecimento de pessoas pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que é fomentado pela falta de métodos de busca eficientes e compatíveis com o extenso território nacional. Essa condição impõe uma maior dificuldade no trabalho da polícia e dos investigadores, além de prolongar a angústia dos familiares.

Entende-se, portanto, que o drama dos desaparecidos deve-se, entre outros motivos, à postura estatal e ao desenvolvimento dos casos. A fim de atenuar o impasse, o Governo Federal, poder Executivo no âmbito da União, deve, por meio da criação de delegacias digitais especializadas nesse tipo de crime, efetivar os boletins de ocorrência de forma mais rápida, encaminhado tais denúncias para um banco nacional com cadastros dos desaparecidos, com vistas a comunicar as operações policiais e investigativas do país sobre o ocorrido, ampliando as chances de êxito no processo. Desse modo, com base do ideal aristotélico, os casos de pessoas desaparecidas diminuirão gradativamente no Brasil.