O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 18/11/2021

Gilberto Dimenstein, em seu livro “O cidadão de papel”, afirma que, para solucionar alguns problemas existentes no país, é essencial que a Constituição seja efetivada. No entanto, o que se percebe, no cenário atual, é o oposto do que o escritor propôs, visto que ainda é importante solucionar o drama dos indivíduos desaparecidos no Brasil. Desse modo, faz-se necessário o debate em torno das questões que contribuem para a persistência da problemática, como a ineficácia de medidas públicas e o sequestro para fins lucrativos.

Em primeira lugar, vale ressaltar que a ineficiência das políticas públicas contribui para que o número de brasileiros desaparecidos aumente. Nesse viés, segundo o contratualista Lock, é dever do Estado proporcionar, aos seus indivíduos, o direito à liberdade, à propriedade e, principalmente, à vida. Entretanto, percebe-se que, em relação à tragédia do desaparecimento de pessoas no país, a afirmação do filósofo não se faz presente, uma vez que ainda é crucial promover meios de comunicações mais eficientes, investir em delegacias voltadas somente para os casos de desaparecimento e formar profissionais capacitados para acalmar e para auxiliar os familiares dos desaparecidos. Dessa forma, tais medidas podem possibilitar uma melhor investigação.

Em segundo lugar, vale destacar que o tráfico de pessoas é uma das causas que agrava o problema. Nessa lógica, a novela " Salve Jorge" , produzida pela Globo, retrata uma situação na qual mulheres, com intuito de ter uma vida melhor, são convencidas a se mudar do Brasil, mas, ao chegar no local, percebe que se trata de um prostíbulo. Nessa perspectiva, nota-se que apesar de ser uma ficção, tal panorama pode ser associado ao contexto brasileiro, já que muitos casos de desaparecimento estão atretaldos ao tráfico de pessoas. Dessa maneira, é notório que, caso o governo não possua metas e planos para combater essa realidade, evidencia-se um cenário de descaso com as vítimas e seus parentes.

Tornam-se, portanto, necessárias medidas capazs para solucionar o drama das pessoas desaparecidas no Brasil. Desse modo, cabe ao Estado, poder máximo do território nacional, por meio de verbas públicas, promover canais de comunicação mais eficientes e capacitar profissionais para socorrer as famílias no período de investigação, com a finalidade de de diminuir a quantidade de desaparecidos e auxiliar em uma busca mais qualitativa. Além do mais, a mídia deve intensificar as campanhas sobre o tráfico de pessoas e sobre os desaparecidos, Somente assim, será possível construir um mundo que não seja apenas “perfeito” na Constituição, bem como Gilberto Dimenstein pretende.