O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 14/11/2021
A Ditadura Militar teve como um de seus grandes marcos o desaparecimento de indivíduos opositores ao regime político vigente. De maneira análoga ao presente, o drama de pessoas desaparecidas ainda é um problema muito presente na sociedade atual. Nesse viés, a ineficácia de politicas publicas e a ausência de debates sobre essa questão ampliam a perpetuação dessa problemática. Logo, medidas são imprescindíveis para reverter este impasse.
Diante desse cenário, cabe ressaltar como a ineficiência de políticas públicas impulsiona esta adversidade. Nesse sentido, Zygmunt Bauman vaticinou que o Estado está em crise. Sob essa lógica, para atender as demandas do capital, esse negligencia os ditames que são de sua responsabilidade. Por esse lado, pode-se afirmar que a falta de investimento em delegacias especializadas no trâmite de pessoas desaparecidas e a escassez de trabalhadores qualificados nesse âmbito atrasam o sistema na busca por estes indivíduos. Portanto, é inadmissível que este entrave perdure, visto que existem leis nacionais que visam combatê-lo.
Outrossim, outra causa para a configuração do óbice é o silenciamento social. Nessa perspectiva, o filosofo Michael Foucault relata que, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Por essa lógica, verifica-se uma lacuna em torno de debates sobre as maneiras de prevenção ao desaparecimento de seres humanos, como instruir crianças e adolescentes a não darem informações a qualquer estranho e deve-se evitar uma superexposição nas redes sociais, pois como afirmou Hannah Arendt o mal pode ser encontrado em qualquer pessoa ou lugar. Logo, apesar dos avanços constitucionais, infelizmente, ainda existem lacunas estruturais que dificultam a resolução desse empecilho.
Destarte, entende-se a necessidade de propor medidas capazes de atenuar o drama das pessoas desaparecidas. Para tanto, o Estado, como ente provedor do bem-estar social, juntamente com o Ministério da Justiça, deve investir na propagação de delegacias especializadas nesse eixo e na contratação de profissionais qualificados para resolver estes trâmites, por meio do direcionamento de verbas para esta finalidade, com o intuito de agilizar os procedimentos necessários nesse quesito. Ademais, a mídia, a qual possui a função de divulgar informação, precisa conscientizar o corpo civil acerca da importância de colocar em pratica as maneiras de prevenir desaparecimentos. Somente assim, a banalidade do mal retratada por Arendt será refutada