O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 14/11/2021

A famosa animação da Pixar “Procurando o Nemo”, remonta e traduz a história de Marlin, um pai aflito que busca o seu filho desaparecido e, para isso, está disposto a assumir qualquer risco e perigo. Em consonância com a realidade de Marlin, está a de muitos brasileiros, vítimas do individualismo humano e da negligência do Estado diante esse caso, configurando, assim, um problema.

A princípio, cabe destacar que desde os tempos do Brasil Colônia, eram relatados casos de desaparecimento, principalmente com os indígenas, primeiros reféns do sistema escravocrata do país. Nesse contexto, torna-se evidente que tal ato rompe com o passado e atravessa o hodierno, dado o aumento alarmante do número desses atos no decorrer dos últimos anos, um verdadeiro reflexo da individualidade e da indiferença do homem ao seu comum, que sacrifica a liberdade do outro para construir fortunas e poder. Diante disso, esse cenário corrobora bem com a fala do atual chefe da Igreja Católica, o Papa Francisco, ao afirmar que além da crise financeira, o mundo contemporâneo atravessa uma crise ainda mais profunda, a humanitária.

Outrossim, faz de suma importância o debate acerca da omissão da máquina pública diante esse caso. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, cabe ao Estado a missão de garantir e manter o bem-estar social. Porém, sob essa perspectiva, torna-se claro no Brasil o oposto dessa noção, já que diante de um cenário tão caótico, a legislação ainda não atua de forma invasiva e coerente, algo bem atestado pela precariedade dos sistemas de segurança pública envolvidos na resolução desses casos e pelas poucas intervenções nas comunidades para orientá-las sobre tal perigo. Sendo assim, fazem-se urgentes metas para minar tal mal.

Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para romper com os casos de desaparecimento no Brasil. Cabe, então, ao Ministério Público, órgão regulador das diretrizes de ordem social, por meio de projetos de emendas à Constituição Federal, garantir àqueles órgãos responsáveis pela busca dos indivíduos desaparecidos, todo o aparelho técnico e logístico para uma resolução rápida e eficaz desses casos, além de intensificar a fiscalização em locais propícios a esse tráfico de pessoas, como rodoviárias e aeroportos. Dessa forma, o país estará mais perto de romper com esse drama e de não testemunhar mais novas histórias como a de Marlin.