O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 20/11/2021

Manoel de Barros, ilustre poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma ‘’teologia do traste’’, na qual a principal característica estar em dar valor as situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica do autor, faz-se preciso, portanto, ressaltar também o drama das pessoas desaparecidas, mesmo que sejam desprezadas por grande parte da sociedade. Assim, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a gritante falha do Estado em políticas públicas e medidas empáticas da população.

Inicialmente, é necessário destacar a forma como o poder estatal costuma lidar com a busca de pessoas desaparecidas no Brasil. Segundo o pensador Gilberto Dimenstein, em sua obra ‘’Cidadão de Papel’’, a legislação é ineficaz, visto que todos possuem direitos no plano teórico, mas que muitas vezes não se concretizam na prática. Prova disso é a negligência por parte do governo em garantir o bem-estar e a justiça social, direitos esses assegurados pela Constituição Federal de 1988 em seu artigo 193, deixando claro a falta de práticas governamentais eficazes. Isso é evidente seja pela falta de integração entre os órgãos públicos e o Estado, como também pela carência em investimentos em recursos de busca por essas pessoas.

Ademais, é igualmente preciso mencionar a falta de engajamento da comunidade em auxiliar nas buscas por desaparecidos. Para entender tal menção, é relevante relembrar que a empatia é a ferramenta essencial para a transformação e melhoria social, consoante ao prestigiado filósofo Mozi. Sob essa ótica, pode-se afirmar que quando a população auxilia nas buscas, seja por meio de divulgações nas redes ou nas próprias ruas, as chances de encontrar essas pessoas tornam-se muito maiores e, consequentemente, ajudando a amenizar essa problemática.

Portanto, convém intervenções resolutivas para combater essa ferida social. É de urgência que o governo federal, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), promova ações para o combate ao drama de pessoas desaparecidas. Entre essas medidas, deve-se incluir leis que obrigam a promoção de fotos e informações dessas pessoas nos recursos midiáticos e redes sociais, como também formem nas escolas e comunidades e projetos que instigam a ajuda ao próximo, visando o bem comum. Assim, será possível resolver esse dilema e promover a homeostase social.