O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 15/11/2021

No filme ‘‘Procurando Nemo’’, um peixe filhote se perde de seu pai e fica desaparecido por toda a trama. Para além da ficção, percebe-se a realidade brasileira assemelha-se ao atual contexto brasileiro, uma vez que o drama de pessoas desaparecidas é caracterizado como um problema social. Nesse sentido, pode-se destacar o silenciamento, bem como a banalização, como fatores motivacionais desse entrave.

Primordialmente, nota-se que o assunto sobre pessoas desaparecidas é algo pouco discutido no corpo social brasileiro. A esse respeito, o filósofo Jurgen Habermas, em sua ‘‘Teoria da Ação Comunicativa’’, apresenta a ideia de que o primeiro passo para a resolução de um problema é a sua discussão. Entretanto, pode-se notar que o debate sobre a temática do desaparecimento dos indivíduos é algo silenciado, e isso dificulta a resolução desse óbice. Assim, o desconhecimento sobre tal questão faz com que o aumento do sumiço de sujeitos cresça absurdamente.

Ademais, percebe-se que no corpo social hodierno o desaparecimento de pessoas é algo banalizado. Segundo a filósofa alemã Hannah Arendent, as pessoas banalizam aquilo que jamais deveria ser banalizado. Nessa perspectiva, nota-se que um assunto de grande relevância é tratado como algo banal e consequentemente negligenciado. Logo, é imprescindível uma mudança de contuda da sociedade para mudar essa realidade.

Portanto, cabe ao Ministério da Comunicação, órgão responsável pelos serviços de radiodifusão e telecomunicação, em parceria com a mídia televisiva e rádios, promover campanhas de cunho informacional acerca do desaparecimento de pessoas, por meio de propagandas em horários nobres com depoimentos de parentes dos desaparecidos, com o fito de mitigar o silenciamento presente no tecido social e fazer com que, assim, a sua discussão e resolução ocorram de maneira significativa. Feito isso, a realidade das pessoas irá se distanciar daquela da trama do filme ‘‘Procurando Nemo.’’