O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 16/11/2021

O filme estadunidense ’’ Admirável Mundo Novo ’’ de 1998, inspirado no romance britânico de Aldous Huxley, retrata uma sociedade utópica e futurística, a qual é desprovida de conflitos e problemas sociais. Tal obra fictícia, no entanto, diverge da sociedade tupiniquim, posto que o combate ao desaparecimento de pessoas configura um grande desafio a ser sanado. Nessa lógica, tristemente, emerge um sério problema, seja pela ineficácia legislativa, seja pela lacuna de denúncias nesse âmbito. Desse modo, é imperioso que essa mazela social seja resolvida.

Em primeiro plano, é fulcral ressaltar a ingerência do aparelho legislativo como um agravador do impasse seguracional. Nessa perspectiva, Dimenstein em sua obra ’’ O cidadão de papel ‘’, afirma que nem sempre as leis presentes em documentos oficiais são cumpridas, desencadeando uma realidade que os requeridos são amparados apenas no papel. Tal precariedade influi na permanência do desaparecimento de pessoas no Brasil, visto que há um cenário alarmante de desaparecidos, que se dá pelo tráfico de pessoas, abuso sexual e até mesmo pelo contato enganoso das redes sociais. Destarte, é irrefutável a falha da comunidade civil e administrativa nesse viés, e a urgência de acabar com os ‘cidadãos de papel.’ '

Ademais, é imperativo salientaro silenciamento social como outro catalisador que contribui para o aumento dilacerado do imbróglio. Nesse ínterim, para Djamila Ribeiro, ’’ o silêncio é cúmplice da violência ‘’. De maneira análoga, a frase de Ribeiro assemelha-se aos tempos hodiernos, dado que a carência de denúncias e a falta de debate acerca do assunto gera a violência, isto é, a escassez de ações públicas para minimizar o estorvo não alerta a população, causa a falta de informação e o ideal de problema distante. Logo, é patente a necessidade de acirrar o estigma, propagando informações nos veículos midiáticos, para evidar mais vítimas.

Em suma, urge medidas para mitigar o celeuma dos desaparecidos. Para tanto, o Governo, por meio do Ministério da Justiça, deve aumentar os investimentos no setor da proteção do corpo social, além de uma ampla campanha na rede midiática, que, mediante às propagandas, debates e jornais, criem uma hashtag nas redes sociais que orientem e compartilhem informações relevantes no mundo digital. Somente assim, o entrave pode ficar no passado brasileiro. A fim de que o filme estadunidense, livre de distopias e crimes de ódio, aconteça na coletividade verde-amarela.