O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 19/11/2021

Theodor Adorno, em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, propõe um projeto de libertação do homem da opressão e da massificação, por meio de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o indivíduo deve caminhar na direção de uma consciência crítica, baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, tem-se a questão do drama das pessoas desaparecidas, o que revela como a insuficiência legislativa e a má influência midiática, contribuem com a problemática apresentada.

Mormente, analogamente ao legado proposto pelo geógrafo Milton Santos, o meio técnico-científico-informacional, a rapidez com que informações são dissipadas é evidente. No entanto, há a seleção por intermédio da mídia, de assuntos considerados mais importantes que outros para serem repassados, como o caso de pessoas desaparecidas, o que ocasiona desconhecimento por parte da população acerca da temática. Posto isto, o sociólogo Pierre Bourdieu exemplifica a necessidade de democratização de informações por meios midiáticos, ao dizer que: “O que foi feito para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo opressor”.

Em segunda análise, a insuficiência da aplicação de leis pelo setor judiciário, contribui com o sumiço de cidadãos. Desse modo, o fato apresentado contribui com o desaparecimento anual de 250 mil pessoas, que não deixam vestígios, de acordo com o site de notícias “Odia”. Sendo assim, a problemática exposta viola a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proposta em 1948, que defende a manutenção do respeito entre povos de uma mesma nação, pois não há o comprometimento em ajudar pessoas em situação crítica por intermédio do legislativo.

Dessarte, é evidente a necessidade de ações promotoras do bem-estar coletivo. Por isso, é necessário que o Ministério da Educação, como instrumento de metamorfose atual, atue com palestras e debates acerca da importância de um olhar atento na questão da desaparição de cidadãos, por meio de escolas e associações de bairro, de modo a garantir a conscientização coletiva acerca do tema. Somente assim, poderão ser seguidos os preceitos de Adorno, no caminho para amenização do drama sofrido pelo desaparecimento de pessoas.