O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 18/11/2021

Entre 1964 e 1985, ao longo da ditadura militar, opositores do regime desapareciam de forma misteriosa e, quase 35 anos depois, a grande maioria desses indivíduos ainda não foram localizados. Embora o regime militar não seja uma realidade nos dias atuais, a sociedade brasileira ainda parece não encontrar medidas que possibilitem a redução do crescente número de desaparecidos em território nacional. Dentre as causas que contribuem com esse problema, destaca-se não só má distribuição dos recursos destinados aos órgãos de segurança pública, como também a ausência de uma infraestrutura adequada que facilite o processo de busca dos desaparecidos.

Nessa perspectiva, é válido mencionar que a disponibilidade de recursos é de fundamental importância para o funcionamento dos setores responsáveis pela solução desses casos. Contudo, observa-se outra realidade no cenário nacional, posto que, de acordo com um levantamento realizado pelo veículo de comunicação CNN em 2020, apenas 1% dos recursos destinados à segurança é direcionado para a área de inteligência e informação. Constata-se, dessa forma, que a falta de investimentos nessa área dificulta o trabalho dos agentes, contribuindo, assim, para a manutenção do problema.

Ademais, toda essa péssima distribuição de recursos encontra terra fértil na falta de uma infraestrutura adequada que auxilie a população a contribuir no processo de busca desses indivíduos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 50 milhões de brasileiros não tinham acesso à Internet em 2018. Infere-se, assim, que a essa infraestrutura deficiente dificulta a distribuição de informações acerca dos desaparecidos, dificultando a participação dos populares na solução desses casos e, consequentemente, facilitando a perpetuação do problema em questão.

Portanto, diante dos fatos supracitados, pode-se inferir que o drama das pessoas desaparecidas no Brasil é um tema relevante e que carece de soluções. Sendo assim, cabe aos órgãos de segurança pública, como a polícia civil e militar, redirecionar uma parcela maior dos seus recursos para setores de inteligência e informação, por meio da redução de gastos em setores menos relevantes, a fim de fornecer os recursos necessários para que os agentes consigam investigar e solucionar casos de pessoas desaparecidas de maneira eficiente. Além disso, cabe ao Estado prover Internet gratuita para os menos favorecidos para que a população consiga auxiliar no processo de busca desses indivíduos. Só assim, diferentemente daquilo que aconteceu ao longo do regime militar, será possível reduzir o número de desaparecidos no Brasil.