O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 19/11/2021
O filme “Procurando Dory”, produzido pela Disney, aborda o drama que perpetua na vida de uma família ao lidar com o desaparecimento de um ente. Não longe da ficção, a narrativa proposta pela produção cinematográfica elenca a realidade de muitas vítimas no século XXI. Nesse sentido, faz-se necessário discorrer sobre os fatores que contribuem para a permanência da problemática relacionada ao desaparecimento de pessoas na atualidade, com destaque para a inobservância estatal e para a omissão midiática.
Primeiramente, cabe analisar o papel do Estado no que concerne a temática. Segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do Poder Executivo realizar a manutenção da segurança do corpo civil brasileiro. Sob essa óptica, fica claro que o governo falha com essa garantia ao não trabalhar com diligência para a mitigação da questão, fato que pode ser comprovado pelas estatísticas sobre a adversidade, as quais indicam que, somente em 2020, houveram cerca de sessenta e três mil pessoas desaparecidas, de acordo com Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Dessa forma, é imperativo que o Poder Estatal rompa com a inércia que desfruta e opere com veemência para reduzir ao máximo os indicativos presentes na contemporaneidade.
Além disso, é preciso compreender a relação entre a esfera midiática e a proposição em discussão. Nesse seguimento, é notório que a atribulação dos desaparecidos no Brasil requer maior visibilidade pública, visto que essa pode contribuir para aumentar as probabilidades de identificar possíveis testemunhas dos crimes cometidos contra as vítimas noticiadas, e, assim, localizar os indivíduos. Dessa maneira, em conformidade com o pensamento ilustre de Pierre Bourdeau, “Os mecanismos criados para serem instrumentos da democracia não podem ser convertidos em mecanismos de opressão”, logo, é mandatório que a mídia altere seu “modus operandi” e cumpra com o dever social imposto a ela, uma vez que sua atuação pode ser positiva para a resolução dos casos.
Por fim, é evidente que a vicissitude do tema é uma questão desafiadora para o governo federal. Portanto, cabe à mídia brasileira – veículo responsável pela difusão de informação para o corpo social – atuar na implementação de campanhas que divulguem imagens dos desaparecidos, por meio da colaboração e fomento do Poder Público, com a finalidade de reduzir as estatísticas alarmantes atuais. Ainda, faz-se imperativo que o Ministério da Justiça elabore operações que visem o desmantelamento das organizações criminosas associadas à temática. Destarte, filmes, como o retratado pela Disney, serão apenas entretenimento no futuro.