O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 19/11/2021
Nesse cenário, deve-se ressaltar a escassez de medidas governamentais para o combate ao grande número de desaparecidos no Brasil. Por conseguinte, o filósofo alemão Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo, de modo que justifica uma das causas do problema, pois milhares de cidadãos brasileiros desaparecem todos os dias por consequência da falta de políticas legislativas específicas que evidenciam e integram os múltiplos cadastros de buscas dos órgãos públicos. Além disso, a concentração e lotação de casos de desaparecimentos — que não deixam vestígios — crescem de forma exponencial, visto que, segundo o portal Meu Filho Sumiu, a cada 45 minutos mais de 20 pessoas desaparecem no território brasileiro.
Concomitante a isso, a mídia — meio de comunicação em massa — atua como direcionador do pensamento de grande parte da população. Acerca disso, segundo o pensador frânces contemporâneo Pierre Bourdieu: “Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica”. Então, observa-se que a mídia não está promovendo a reflexão e o debate necessário em torno da questão dos desaparecidos, uma vez que há baixo número de propagandas informativas e pouca visibilidade para as causas de desaparecimentos e medidas preventivas e suas importâncias para os meios de comunicação, revelando, assim, essa disfunção. Por fim, nota-se o desconhecimento da população em relação aos seus problemas, dificultando o diagnóstico e colaborando para o aumento dessa problemática.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater e reduzir os desaparecimentos de pessoas no Brasil. Em vista disso, é papel da Secretaria Especial de Comunicação Social, por meio da liberação de verbas destinadas às ações sociais e com o apoio da Polícia Federal, desenvolver atuações que revertam a má influência midiátia, como a confecção e distribuição de cartilhas informativas que abordem métodos de identificação e prevenção de desaparecimentos, além da ampliação de órgãos públicos, com a finalidade de diminuir a lotação de casos sem resolução e colaborar para a redução de desaparecidos. Talvez, assim os mecanismos utilizados para opressão simbólica sejam convertidos e direcionados em instrumentos democráticos como proposto por Pierre Bourdieu no século XX.