O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 20/11/2021
No século XVIII, a geração romântica indianista foi responsável por valorizar, na literatura, a verdadeira essência do povo brasileiro e suas riquezas. Entretanto, é notório que os valores nacionalistas, expostos no Romantismo, permaneceram apenas nas obras literárias. Logo, tal prerrogativa indianista não tem se refletido com a ênfase na prática, determinada, desse modo, uma negligência ao drama das pessoas desaparecidas. Diante disso, a ausência de medidas governamentais e a má influência midiática são as causas principais que têm auxiliado na manutenção da problemática supracitada.
Nesse cenário, deve-se ressaltar a escassez de governantes para o combate ao frequente desaparecimento de adolescentes. Por conseguinte, o filósofo alemão Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo, de modo que justifica uma das causas do problema, pois há inúmeros casos de abandono, subtração de incapaz, abuso sexual infantil fatores que levam a fuga, visto que, segundo o Ministério da Justiça cerca de 40 mil desaparecidos são menores de idade.
Concomitante a isso, a mídia - meio de comunicação em massa - atua como direcionador do pensamento grande parte da população. Acerca disso, segundo o pensador francês contemporâneo Pierre Bourdieu: “Aquilo que foi criado para tornar o instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica”. Então, observa-se que a mídia não está promovendo a reflexão e o debate necessário em torno do drama dos desaparecidos, uma vez que há baixos números de propagandas informativas e pouca visibilidade para meios eficazes de encontrá-los e suas importâncias nos meios de comunicação, revelando, assim, essa disfunção. Por fim, nota-se o desconhecimento da população em relação aos seus problemas, dificuldade para o diagnóstico e colaborando para o aumento dessa negligência.
Depreende-se, portanto, a necessidade de minimizar os casos de desaparecimento no Brasil. Em vista disso, é papel da Secretaria Especial de Comunicação Social, por meio da liberação de verbas destinadas às ações sociais e com o apoio da Segurança Pública, desenvolver atuações que revertam a influência midiática, como promover propagandas com divulgação periódica de imagem das vítimas, além de esclarecer atitudes necessárias à prevenção desse mal, a fim de solucionar mais casos de desaparecidos. Talvez, assim, os mecanismos utilizados para opressão simbólica sejam convertidos e direcionados em instrumentos democráticos, como proposto por Pierre Bourdieu no século XX.