O efeito das redes sociais na autoestima dos usuários

Enviada em 06/04/2025

As redes sociais, inicialmente criadas para promover a conexão entre indivíduos, vêm assumindo um papel contraditório: ao mesmo tempo em que aproximam, também contribuem para a construção de uma autoestima fragilizada. Esse cenário é especialmente preocupante entre os jovens, que estão em processo de formação identitária e são mais suscetíveis aos padrões estéticos e de vida disseminados por influenciadores digitais. Assim, é necessário refletir sobre como esses ambientes virtuais impactam negativamente a percepção que os usuários têm de si mesmos.

A exposição constante a imagens idealizadas, muitas vezes modificadas por filtros e edições, contribui para a comparação excessiva, gerando frustrações e inseguranças. Como aponta o relatório “Girls’ Attitudes Survey 2020”, 80% das meninas entre 11 e 21 anos pensam em mudar sua aparência, muitas vezes buscando aprovação social. Isso demonstra como o uso das redes, aliado à construção de padrões inatingíveis, influencia a autoestima de forma destrutiva. A sensação de inadequação, portanto, não é fruto de uma realidade concreta, mas da tentativa de se encaixar em um modelo artificial.

Ademais, o algoritmo das redes sociais intensifica esse efeito. Por priorizar conteúdos com os quais o usuário mais interage, cria-se uma bolha onde apenas um tipo de beleza, comportamento ou estilo de vida é exibido repetidamente. Isso contribui para a falsa ideia de que essas são as únicas formas válidas de existência. Como destaca a psicóloga Fabiola, os usuários acabam esquecendo que estão diante de recortes seletivos da realidade, o que alimenta a autodepreciação.

Diante desse cenário, é imprescindível que medidas sejam tomadas. Como proposta de intervenção, sugere-se que o Ministério da Educação, em parceria com psicólogos e influenciadores comprometidos com a saúde mental, desenvolva campanhas educativas nas escolas e nas redes sociais. Essas campanhas devem abordar o uso consciente da internet, promover a diversidade corporal e identitária, e estimular o pensamento crítico sobre os conteúdos consumidos. Além disso, é importante incentivar o uso de ferramentas de controle do tempo de tela e de curadoria dos perfis seguidos, para que o ambiente digital se torne mais saudável e representativo.