O efeito das redes sociais na autoestima dos usuários

Enviada em 28/05/2025

Na obra Emílio, ou Da Educação, o filósofo Jean-Jacques Rousseau afirma que a juventude é a fase mais sensível da formação moral e emocional do indivíduo. No cenário atual, em que adolescentes estão imersos nas redes sociais desde cedo, essa fragilidade torna-se ainda mais evidente. Ao projetarem padrões idealizados e estimularem comparações constantes, essas plataformas comprometem a autoestima dos jovens, que passam a medir seu valor pela aceitação virtual.

Em primeiro lugar, as redes sociais promovem comparações frequentes entre adolescentes, afetando sua autoconfiança. Isso se relaciona ao conceito de “sociedade do espetáculo”, de Guy Debord, em que o indivíduo é reduzido à aparência pública. Nas redes, isso se expressa em filtros, conquistas e rotinas idealizadas. Quem consome esse conteúdo frequentemente sente-se inferior por não corresponder ao padrão exibido, tornando sua autoestima dependente da imagem digital.

Além disso, essas plataformas reforçam padrões excludentes que dificultam a construção da identidade. A crítica de Theodor Adorno à indústria cultural explica esse processo, ao denunciar a padronização de modelos de vida e beleza. No meio virtual, quem foge desses padrões — por aparência, estilo ou classe social — tende a duvidar de seu próprio valor, o que gera insegurança e abala o processo de aceitação pessoal.

Portanto, é preciso superar o impacto negativo das redes sociais na autoestima dos adolescentes. Para isso, o Ministério da Educação deve inserir oficinas de educação digital nas escolas, com apoio de psicólogos e educadores, visando ao autoconhecimento e à valorização pessoal para além da imagem virtual. Além disso, o Ministério das Comunicações deve promover campanhas digitais com influenciadores jovens, que valorizem a diversidade e combatam padrões irreais. Assim, será possível respeitar a sensibilidade da juventude, como defendido por Rousseau, e criar um ambiente digital mais saudável.