O efeito das redes sociais na autoestima dos usuários

Enviada em 06/06/2025

Na canção “Principia”, o cantor Emicida se pergunta o porquê de o Brasil ser tão amargo, se é a “casa da cana-de-açúcar”. Essa antítese é evidenciada, na realidade vigente, ao se observar o efeito das redes sociais na autoestima dos usuários no Brasil. Nesse sentido, o desinteresse do Estado, bem como o silenciamento da problemática sustentam esse quadro amargo.

Diante desse cenário, é importante destacar que o desinteresse do Poder Público ocorre porque o governo não enxerga retorno financeiro. Segundo o filósofo, Nicolau Maquiavel, o maior objetivo dos governantes é a manutenção do próprio poder, não o bem-estar social. Por isso, o Estado não toma medidas para a valorização da autoestima dos usuários das redes, como projetos que assegurem que o exposto nas redes é diferente da realidade, o que ocasiona, em grande escala, a distorção de imagens nos indivíduos, afetando o bem-estar.

Ademais, é importante salientar o emudecimento da questão. De acordo com Djamila Ribeiro -socióloga expoente brasileira-, é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, partindo da visão da pensadora, é notório que há uma escassez de debates quanto à importância de uma vida saudável e de uma mente estável no âmbito tecnológico, tendo o objetivo de não afetar as relações sociais dos usuários, ou até mesmo a necessidade de aprovação e a busca constante por atenção. Desse modo, é inadmissível que em uma sociedade democrática, o tema não seja amplamente discutido.

Portanto, é imprescindível que essa conjuntura seja dissolvida. Para isso, o Governo Federal -órgão responsável pelo bem-estar social- deve, por meio de investimentos governamentais e parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta e em horário nobre, a importância do efeito das redes sociais na autoestima dos usuários. Tal medida tem como objetivo tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Somente assim, a “casa da cana-de-açúcar” deixará de ser amarga.