O efeito das redes sociais na autoestima dos usuários
Enviada em 23/06/2025
Na contemporaneidade, as redes sociais configuram-se como um dos principais
instrumentos de mediação das relações interpessoais. Todavia, paralelamente aos
avanços na comunicação, emerge uma problemática latente: os efeitos nocivos que
essas plataformas exercem sobre a construção da autoestima dos indivíduos. Tal
questão evidencia-se, sobretudo, pela exaltação de padrões inatingíveis e pela
supervalorização da validação externa.
Sob essa ótica, convém destacar que a lógica algorítmica que rege as redes favorece a disseminação de conteúdos esteticamente padronizados e, muitas vezes, irreais. Nesse cenário, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade estrutura-se por meio de capitais simbólicos, nos quais a aparência e o status digital tornam-se elementos de distinção. Consequentemente, a constante exposição a modelos de perfeição — seja no âmbito físico, social ou financeiro — fomenta comparações autodepreciativas, contribuindo diretamente para o desenvolvimento de quadros de insegurança, ansiedade e depressão.
Além disso, a cultura da hiperexposição e da busca incessante por validação, materializada nas métricas de curtidas e comentários, estabelece uma relação de dependência emocional com o ambiente virtual. Nesse viés, o esvaziamento das interações presenciais e a priorização do reconhecimento digital agravam o distanciamento da autopercepção saudável, comprometendo, de forma significativa, a saúde mental dos usuários.
Diante desse contexto, faz-se imprescindível a adoção de medidas multissetoriais. É dever do Estado, em parceria com as plataformas digitais, promover campanhas educativas que estimulem o uso consciente das redes, bem como regulamentar práticas que inibam a propagação de padrões excludentes.Paralelamente, as instituições escolares devem incorporar a educação midiática aos seus currículos, capacitando os jovens a desenvolverem senso crítico e autonomia emocional no uso dessas ferramentas. Desse modo, mitiga-se os impactos deletérios das redes sociais sobre a autoestima e fomenta-se uma cultura pautada no bem-estar coletivo e na valorização da diversidade.