O efeito das redes sociais na autoestima dos usuários

Enviada em 05/10/2025

  • No livro “Não me deixe só”, Claudia Rankine revela como a violência simbólica e os gestos sutis de exclusão — muitas vezes internalizados — ferem profundamente a autoestima de quem os sofre. Em um dos trechos, a autora descreve o cansaço de “carregar o peso de estar constantemente visível para o olhar do outro”, o que dialoga diretamente com o ambiente das redes sociais, onde a exposição é constante e os julgamentos são implacáveis.

  • Nas redes sociais, como no cotidiano descrito por Rankine, o sujeito é constantemente observado e avaliado; Isso gera uma identidade moldada pelo olhar externo, e muitas vezes, autoestima frágil, pois se baseia em como o outro te vê e te trata.

  • (…) Esse olhar do outro, que define se a imagem postada será validada com curtidas e comentários, lembra a experiência descrita por Claudia Rankine em “Não me deixe só”, quando fala sobre a dor de viver sob constante julgamento. Assim como na obra, o sujeito nas redes sociais se vê forçado a performar uma versão aceitável de si, o que, ao longo do tempo, pode provocar uma ruptura entre quem se é e quem se deseja parecer ser — minando sua autoestima real.

  • Esse processo de exposição constante está alinhado ao que o filósofo francês Guy Debord chamou de sociedade do espetáculo, na qual as interações humanas são mediadas por imagens, e o parecer se sobrepõe ao ser. No ambiente digital, essa lógica é intensificada: o indivíduo se vê compelido a manter uma identidade visual perfeita para ser aceito, o que compromete sua autoestima e desconecta sua imagem da realidade.