O empreendedorismo digital em questão no Brasil

Enviada em 17/03/2022

Na série televisiva “Sex Education”, os jovens Otis e Maeve criam, na escola, um empreendimento análogo a uma clínica de educação sexual, a fim de aconselhar os colegas e, por conseguinte, adquirir uma remuneração. Contudo, ao observar-se o panorama brasileiro, nota-se a ausência de ações empreendedoras digitais semelhantes à apresentada, apesar da importância delas para o desenvolvimento nacional. Logo, analisa-se de que modo o pouco estímulo ao empreendedorismo dos estudantes e o baixo incentivo estatal tonificam a problemática.

Em primeiro lugar, a omissão da escola como um agravante do cenário. A esse respeito, a Constituição Federal, promulgada em 1988, garante a todos o direito à educação de qualidade, bem como à qualificação para o trabalho. No entanto, por mais que tais aspectos sejam direitos à população, existe uma discrepância entre a lei e sua efetivação, já que substancial parcela dos discentes das instituições de ensino brasileiras não têm proximidade com ações que a torne versátil e possuidora de habilidades empreendedoras, e por fim, dificulta a entrada dos jovens no empreendedorismo e trabalho. Assim, são necessárias medidas educacionais que atenuem essa questão e cumpram o que está elencado na lei.

Além disso, convém destacar que o exíguo apoio governamental dificulta a efetivação de um cenário empreendedor. Nesse contexto, o pensador Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso comum. Assim, o comportamento dos órgãos públicos brasileiros, a partir da análise de Hobbes, seria identificado como equivocado, dadas excessivas cargas tributárias impostas aos novos atuantes no mercado trabalhista.

Percebe-se, portanto, a necessidade de apoiar o empreendedorismo no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio da alteração na Base Nacional Comum Curricular, inserir a disciplina Empreendedora nas escolas, com objetivo de fornecer habilidades técnicas que ajudem os estudantes. Em acréscimo, é necessário que o Ministério da Fazenda elabore um plano financeiro que reduza as taxas tributárias cobradas das pequenas empresas, a fim de incentivar a duração no mercado. Feito isso, a sociedade do Brasil será incentivada.