O empreendedorismo digital em questão no Brasil

Enviada em 16/05/2022

O autor positivista Auguste Comte, possuidor do lema “ordem e progresso” dizia que o único método de atingir o futuro era através de método e estabilidade. Tal noção é contradita na contemporaneidade, onde as relações de trabalho cada vez mais fogem do padrão e o futuro segue rumo à um “caos ordenado”, sendo a administração e o empreendorismo revolucionados no surgimento das novas tecnologias. É necessário, por conseguinte, entender as causas desse fenômeno e analisar como essa tendência pode ser aplicada na sociedade brasileira.

Primeiramente, é importante entender as evoluções científicas que possibilitaram o cenário de expansão dessas oportunidades. Tendo isso em vista, reconhece-se o papel da Terceira Revolução Industrial e da internet como catalisadores, assim como das redes sociais e do surgimento das “startups” no Vale do Silício americano. Desse modo, as recentes gerações crescem em um ambiente de alta valorização das imagens de empresários como Steve Jobs e Bill Gates, buscando uma ascensão social de caráter semelhante, fato corroborado por dados da Folha de São Paulo, onde 63% dos participantes da área têm entre 20 a 55 anos.

Tendo isso em vista, percebe-se que o empreendedorismo digital torna-se uma perspectiva relevante para o desenvolvimento econômico nacional, pois além de encontrar um público jovem e um mercado em crescimento, conta com um fator diferencial: a adaptabilidade. Nesse contexto, problemáticas como o desemprego estrutural, isto é, a ideia de que a quantidade de empregos serão reduzidas na medida em que avanços estruturais possuirão alternativas mais eficientes que o trabalho humano são ultrapassadas pela possibilidade de uma função maleável, com alta empregabilidade e papel de vanguarda na movimentação de capital.

Torna-se clara, portanto, a essenciabilidade de medidas de formação, qualificação e integração desses entusiastas na realidade do país, com o apoio do Ministério do Trabalho e do Ministério da Educação, ao estimularem o desenvolvimento de palestras, aulas e cursos regulamentados, com o intuito de não apenas estabelecer essas profissões como oficiais e viáveis, mas também de provar a integração do governo com o futuro. Seria possível assim, criar um mundo adequado com as novas inovações, ainda que em desordem, que mesmo Comte aplaudiria.