O empreendedorismo digital em questão no Brasil

Enviada em 23/06/2022

A empreendedora e influenciadora Vírginia lançou um sérum de beleza e lucrou milhões com seu trabalho. Trazendo para a realidade, o número de brasileiros que adentram no mercado digital é cada vez maior, mas nem todos são tão bem sucedidos. Tal cenário possui fruto inegável na romantização excessiva do empreendedorismo virtual. Assim, entre os fatores que aprofundam esse panorama, pode-se destacar tanto a mídia mercadológica quanto a escola formal.

Diante desse contexto, é possível notar que a presença mercantil das mídias, somada ao romantismo da prática de empreender, contribui para que empresários digitais se frustrem. Isso acontece porque, dentro do sistema econômico vigente, é mais rentável exibir conteúdos que apresentam retorno financeiro direto para as elites, ao invés de informar a população sobre as variantes e riscos do verdadeiro mercado online. Nesse sentido, o jornalista Caco Barcellos diz que “a culpa não é de quem não sabe, mas de quem não informa”, ao salientar o papel social que as redes comunicativas tem de trazer informações construtivas ao tecido social, principalmente no que se refere ao exercício do trabalho informal.

Sob outra perspectiva, é imperativo perceber que a postura formalizadora dos colégios, aliada ao ato de romantizar o comércio eletrônico, gera mais trabalhadores enganados com o espaço virtual. Essa situação acontece pois, o ambiente escolar está mais preocupado em formar alunos que armazenam conteúdo técnico para vestibulares e, dessa forma, não abordam a temática do empreendedorismo. Sobre esse pensamento, o filosófo Albert Einsten acrescenta " é um milagre que a curiosidade sobreviva à educação formal", ao evidenciar que a educação formalizante prejudica o subjetivo dos alunos, como no caso de discernir corretamente sobre os verdadeiros retornos financeiros do comércio digital.

Em resumo, é problemático que a comercialização online seja muito romantizada pela população. Desse modo, o Governo Federal deve criar, um Plano Nacional de Incentivo a Prática Responsável do empreendedorismo, a ser padronizado em todos os Estados, com paletras e oficinas, ministradas por profissionais empreendedores, nas escolas públicas do ensino médio, a fim de que os estudantes possam saber a realidade da vivência de quem empreende na internet.