O empreendedorismo digital em questão no Brasil
Enviada em 11/11/2022
No livro “O cidadão de papel”, do jornalista Gilberto Dimeinstein, a denúncia da ineficácia de mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente - metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, como, por exemplo, a pouca representatividade feminina no empreendedorismo digital. Notoriamente, isso é causado pela ausência de reflexão e a insuficiência legislativa, fatos que perpetuam essa mazela.
Nesse cenário, a mentalidade coletiva precisa ser aprofundada. Segundo o conceito de Normalização, de Michel Foucault, há, na sociedade, a repetição de comportamentos sem a devida reflexão crítica dessa conduta. Sob tal perspectiva, quando se analisa que apenas 25% do empreededorismo digital é representado por mulheres, verifica-se que a falta de deliberação minuciosa sobre o assunto em questão intensifica o revés, uma vez que é de extrema importância acabar com a desigualdade de gênero existente no ambiente digital de negócios, pois a falta de mulheres empreendedoras gera uma maior dificuldade de diminuir as diferenças entre homens e mulheres na sociedade brasileira. Com isso, para atenuar o impasse, torna-se imprescindível a discussão coletiva.
Além disso, merece destaque o quesito constitucional. Segundo Jean-Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida na circunstância natural para que o Estado garanta direitos intransigentes. A falta de iniciativa do Governo para minimizar a desigualdade de gênero existente no campo do empreededorismo digital, entretanto, contrasta a concepção do autor, pois não há campanhas efetivas de incentivo para que as mulheres entrem no mercado digital, dificultando ainda mais a concretização de igualdade. Desse modo, ações precisam ser tomadas pelas autoridades competentes.
Portanto, cabe ao Governo destinar parte do Produto Interno Bruto (PIB) para atenuar a pouca representatividade feminina no empreededorismo digital. Essa ação irá ocorrer por meio da destinação de verba para a produção de campanhas de incentivo para que as brasileiras entrem no mercado digital. Então, feito isso, irá remediar a ausência de reflexão e a insuficiência legislativa, contrapondo o elucidado por Dimenstein - ao garantir a prestabilidade dos mecanismos legais.