O empreendedorismo digital em questão no Brasil
Enviada em 03/11/2022
No Brasil, com o avanço da internet os empreendedores viram no campo digital um novo meio para realizarem seus negócios de maneira mais lucrativa. Entre-tanto, esse novo modelo trouxe prejuízos às lojas físicas de tradição, que tiveram suas vendas diminuídas pela alta concorrência das lojas online. Esse cenário complexo requer maior atuação do setor público e da sociedadae civil, a fim de auxiliar os empreendedores tradicionais a se encaixarem nessa nova realidade.
De início, cabe destacar que, conforme o que está proposto na Constituição de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, é dever do Estado garantir o bem-estar social. Entretanto, tal norma se mostra incoerente com a realidade atual do país, já que, de acordo com pesquisas feitas pela Universidade de São Paulo, aproximadamente 40% das lojas físicas tiveram seu negócio prejudicado com o crescimento do empreendedorismo digital no ano de 2021. Tal situação tem como um dos principais motivos os insuficentes investimentos em campanhas públicas que orientem o empreendedor tradicional das vantagens de aderir às novas formas de gestão frente à atual realidade digital.
Ademais, ressalta-se como intensificadora dessa problemática a falta de partici-pação da sociedade brasileira na busca de solução para o tema. Nesse contexto, cabe destacar a frase do escritor Lima Barreto, ao afirmar que “o Brasil não tem povo, tem público. Povo luta pelos seus direitos, público só assiste de camarote”. Tal pensamento reflete nitidamente como se comporta grande parte da população, que só vê o problema, mas pouco age no seu combate, ao deixar, por exemplo, de incentivar a realização de movimentos que informem os benefícios que o meio digital pode trazer para os negócios e, assim, de ajudar os empreendedores tradicionais a saírem do pejuízo trazido pela grande concorrência das lojas online.
Portanto, a fim de melhorar a situação das lojas físicas de tradição cabe ao Governo, como principal responsável pelo bem-estar dos brasileiros, por meio de um remanejamento de verbas, intensificar investimentos em campanhas informativas sobre o tema. Além disso, com a mesma finalidade, cabe à sociedade civil, por meio de empresas de entrega, como Ifood e Rappi, realizar movimentos em prol do uso dos meios digitais nos negócios.