O empreendedorismo digital em questão no Brasil
Enviada em 09/11/2022
O geógrafo Milton Santos formulou o conceito de meio técnico-científico-informacional como sendo o ambiente em que se produz ciência, a qual se consegue transformr em tecnologia, em um processo mediado pela tecnologia da informação - esse meio caracteriza o modelo de produção da atualidade. O Brasil encontra-se pobremente inserido nesse cenário de transformação digital e medidas devem ser adotadas para superar esse problema, que tem como causas a baixa qualificação tecnológica e gerencial.
Dentro desse contexto, a qualificação tecnológica se mostra fundamental. Segundo o Forum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a septuagésima primeira posição no ranking global de competitividade, de um total de 141 países avaliados. Trata-se de uma evidência clara da baixa efetividade do trabalhador, em que um percentual significativo de postos de trabalho requer o manejo de tecnologias, mais especificamente, a da informação.
Além disso, é necessário que o trabalhador esteja melhor habilitado para conceber novos modelos de negócios, para que possa empreender no mundo digital. Os fenômenos de “uberização” são claros retratos de que os conceitos de gestão tradicional não são mais suficientes para a concepção de iniciativas inovadoras. Em realidade, a sociedade imaginada em 1985 pelo filósofo Manuel Castells, registrada na trilogia “A era da informação”, composta por novas relações de produção que emergiriam do mundo conectado, se consagraram como realidade incontextável.
Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser dotadas para superar o desafio da pouca inserção do Brasil no processo de transformação digital, viabilizando a efetiva ação de empreendedores. Para isso, o Ministério da Educação - no cumprimento de seu papel social - deve promover uma reformulação nos currículos escolares, por meio da emissão de diretrizes do Conselho Nacional de Educação, com a finalidade de fortalecer a carga educacional relativa ao uso de tecnologias e às modernas formas de gestão. Talvez assim, o Brasil desponte como um dos líderes da nova economia conectada.