O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 05/09/2019
Com a implantação da Primeira República no Brasil, no final do século XIX, a pobreza foi um tema recorrente dentro da sociedade brasileira. Nessa época, conflitos como a Guerra de Canudos demonstraram a insatisfação, sentimento de abandono e miséria vivenciados pelos sertanejos. A esse respeito, embora esse impasse, nos dias atuais, ainda seja realidade, a ação de empreendimentos sociais tem representado um papel fundamental no combate à temática. Logo, faz-se necessário o apoio governamental para que essas medidas ganhem força no país.
A princípio, é válido ressaltar a importância do empreendedorismo social para a atenuação da pobreza. Sob esse viés, tomando como base o pensamento do filósofo Immanuel Kant de que as ações humanas devem ser pautadas, entre outras finalidades, no bem comum, a iniciativa de projetos empresariais que visam, além do lucro, resolver problemas sociais representa uma solução para o combate à pobreza. Essas ações são necessárias, pois, segundo o IBGE, cerca de 168 milhões de pessoas apresentam renda baixa no Brasil. Para exemplificar a participação desses projetos em termos sociais é válido citar o trabalho da empresa Rede Asta que comercializa apenas produtos feitos por pessoas que vivem em regiões de baixa renda com a finalidade de minimizar o quadro de miséria e desemprego no país. Logo, investir nesse setor é uma boa forma de combater essa mazela social. Entretanto, o crescimento dessa forma de negócio no Brasil é dificultada, dentre outros fatores, devido à falta de investimentos financeiros do Governo a essas empresas. Isso porque boa parte delas carecem de empréstimos e isenções fiscais que poderiam ser fornecidas pelo poder público, o que gera vários desafios para o desenvolvimento dos projetos. Sobre essa análise, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), cerca de 30% dos empreendimentos criados nos últimos anos não conseguiram se manter e foram à falência. Essa situação demonstra uma ruptura do Contrato Social proposto por john Locke em que o Estado deve priorizar o bem comum, já que esse se mantém ausente na implementação de programas que geram resultado direto nos casos de pobreza no país.
Destarte, é necessário que o Governo Federal, na figura do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, apoie financeiramente essas empresas. Isso pode ser fundamentado mediante a criação de fundos de capital específicos para atender a demanda desses projetos em, especialmente, regiões interioranas onde o auxílio é menor, bem como a disponibilização de palestras com abordagens voltadas ao incentivo de ideias e orientação técnica por empresários da área, a fim de aumentar a presença dessa modalidade de negócio e, dessa forma, atenuar a pobreza no Brasil.