O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil

Enviada em 07/09/2019

Joseph Schumpeter - um dos mais importantes economistas da primeira metade do século XX - defendia que a atividade empresarial é o grande motor do desenvolvimento econômico no sistema capitalista. Nessa perspectiva, o crescimento do empreendedorismo social no Brasil é o caminho certo e sustentável para um progresso do corpo social e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. O que se vê, no entanto, é que esse progresso esbarra em um ambiente burocrático hostil e na raridade de pessoas capacitadas para gerir e liderar projetos de responsabilidade social.

Sendo assim, é fato que os altos encargos tributários e a grande burocracia para aberturas de empresas torna do Brasil um ambiente inóspito para o florescimento de ideias inovadoras de impacto social. Prova disso, por exemplo, são os dados do índice de liberdade econômica que apontam o Brasil em estado de alerta e próximo de países subdesenvolvidos. Por esse motivo, o economista francês Frédéric Bastiat já dizia no início do século XVII que os melhores países serão aqueles em que a lei intervém menos na atividade privada e na individualidade dos cidadãos, visto que a própria lei muitas vezes expande os limites de sua  funcionalidade.

Além disso, a baixa qualidade educacional ainda é uma grave barreira para estimular o empreendedorismo social no país. Projetos de StartUPs, por exemplo, ainda são minorias no cenário econômico brasileiro.  Por um lado, não há entre os mais jovens o preparo necessário para incentivar tais práticas, ou a sabedoria para executa-las de maneira financeiramente sustentável; por outro, as próprias escolas e universidades não dão devido valor para o incentivo dessas práticas dentro de um sistema educacional rígido e anacrônico, usurpando dos alunos sua capacidade criativa e inovadora. Justo por isso,  é urgente a necessidade de reconstruir as bases educacionais e tributárias do país por meio de uma ampla participação popular.

Para isso, é importante que o poder executivo e legislativo atue com a progressiva desburocratização de diversos setores econômicos, entre eles deve constar o incentivo fiscal para práticas empreendedoras de alcance social e para o crescimento das StartUPs no país, tornando-as menos dependentes das regras do aparato estatal e facilitando sua atuação para a captação de recursos próprios. Ao mesmo tempo, é fundamental a reformulação das bases educacionais através do Ministério da Educação, tornando as escolas de nível médio e as universidades públicas um ambiente que dê mais espaço para a liberdade de escolha dos alunos e incentive práticas de empreendedorismo social que vá além dos habituais projetos acadêmicos, pois é somente com liberdade - tanto econômica como individual - que o país avançará efetivamento com o comprometimento social.