O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 16/09/2019
A corrente sociológica positivista surgiu no século XIX como uma reação à situação de pobreza e caos social decorrente da Revolução Francesa. Nesse sentido, os filósofos buscavam alcançar a coesão social. Analogamente ao Brasil hodierno, é preocupante constatar que essa harmonia ainda não se concretizou, visto que a situação de miséria é alarmante. Isto posto, cabe valorizar e analisar o empreendedorismo social no combate à pobreza no Brasil, não só devido ao seu benefício social, como também à necessidade de uma melhor estrutura organizacional desses investimentos.
Em primeiro lugar, cabe destacar os benefícios sociais decorrentes desses negócios de impacto. Nesse âmbito, o conceito de “startup” é definido como um empresa de inovação e base tecnológica, que conjuga os resultados financeiros à uma comunidade carente de serviços básicos. Desse modo, é possível constatar o grande potencial desses investimentos para o resgate de comunidades carentes da situação de pobreza, visto que poderão ter acesso aos serviços básicos como saúde, educação e moradia. Ademais, o IBGE relata que 50 milhões de brasileiros vivem na linha da pobreza. Diante disso, torna-se indubitável a capacidade dessas empresas no que tange ao combate à miséria e a necessidade urgente de valorizar tais iniciativas para o progresso social do Brasil.
Além disso, é essencial que haja uma estrutura bem organizada dessas empresas para que elas possam funcionar com eficiência. Nesse cenário, em sua obra “Contrato Social”, Rousseau reflete como deveriam ser as instituições para que se possa ter uma estrutura social organizada. Assim, a reflexão do filósofo torna-se prática, já que muitos investimentos sociais não possuem um sistema gestor bem articulado. Nesse contexto, o empresário social Diego Colegari, em entrevista à revista Época, afirmou que faltam metas, estratégias de gestão e condições de remuneração. Visto isso, fica claro que a precária organização desses empreendimentos representa uma grave ameaça ao combate à pobreza .
Portanto, visto a importância e a necessidade de melhoras no empreendedorismo social brasileiro, medidas são necessárias para tal fim. Para isso, o Ministério da Economia deve fornecer recursos para a ampliação dessas ações, por meio de mapeamentos anuais das empresas e localidades mais necessitadas e consequente parceria com os investidores. Dessa maneira, a utilização dos recursos deve ser esclarecida ao Ministério e as melhorias no âmbito da pobreza relatadas periodicamente, para que o combate à miséria possa progredir. Por fim, os financiadores devem elaborar uma estratégia nacional de investimentos, por meio de reuniões e debates semestrais. Com isso, serão definidas metas e formas de gestão a fim de que o sistema seja organizado e bem articulado. Destarte, será possível viver em um país livre da miséria, assim como foi almejado pelos positivistas no século XIX.