O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 19/09/2019
No livro ‘‘As Seis Lições’’, o liberal clássico Ludwig von Mises exibe como a burocracia estatal é maléfica à sociedade. No Brasil, isso não é diferente, haja vista o prejuízo trazido pelo tamanho do Estado para o empreendedorismo social, aumentando a pobreza. Além disso, a mentalidade predominante quando o assunto é empreender também colabora para a condição pobre de boa parte dos brasileiros.
De início, destaca-se que quando a família real chegou ao Brasil em 1808, a estrutura administrativa portuguesa veio junto, carregada de burocracia monárquica. Por isso, as políticas econômicas, governo após governo, tornaram-se meios para os altos impostos e o inchaço da máquina pública, dificultando, assim, o empreendedorismo. Diante da pouca atividade laboral no país, os níveis de pobreza aumentam, pois sem a abertura de novos negócios, a cadeia produtiva não é alimentada e menos empregos são gerados, uma vez que não existe capital suficiente para a contratação. Desse modo, é possível constatar a relação direta entre burocracia estatal, trabalho e pobreza.
Em contrapartida, o empreendedorismo por si só não é adequado para o combate à pobreza, pois essa atividade ainda é despida do viés social. As empresas, desde o século XX, com as práticas fordistas, estabeleceram que o lucro é primeiro lugar e esquecem uma obviedade: elas existem dentro do ambiente social, logo, o bem-estar da sociedade é necessário para uma produção sustentável a longo prazo. Desse modo, é inviável ignorar as individualidades que constituem essa sociedade, por trás de toda a produção. Consequentemente, o empreendedorismo social e o combate à pobreza são dificultados, pois o processo de geração de lucro carece da organicidade que surge quando vidas humanas são consideradas e os impactos sociais do processo produtivo, levados a sério.
Fica claro, portanto, que a burocracia estatal e a perspectiva de produção da atualidade dificultam o empreendedorismo social e o combate à pobreza, como consequência. Por isso, o Ministério da Economia, responsável pela política financeira do país, deve facilitar o empreendedorismo social no Brasil, por meio da redução dos impostos cobrados às empresas que comprovem como o seu processo produtivo impacta beneficamente as pessoas, diminuindo a pobreza. Além disso, o Ministério da Educação, encarregado de administrar o ensino no país, deve permear a sociedade com uma mentalidade social e orgânica quando o assunto é empreender. Isso pode ser feito por meio da introdução de aulas sobre economia e empreendedorismo em todos os níveis escolares, de modo que os estudantes sejam estimulados a começar uma atividade produtiva que respeite os interesses sociais. Com essas medidas, é possível obter crescimento econômico e combate à pobreza ao mesmo tempo.