O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 20/10/2019
Na obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatada a falta de sensibilidade da sociedade em meio às dores do indivíduo, em conjunto com a ausência de sentido da palavra comunidade, em um mundo imerso no individualismo. Nesse contexto, ao se analisar a questão do descaso com o empreendedorismo social, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman está extremamente presente nos problemas do século XXI. Esse cenário é fruto tanto do pouco auxílio de políticas públicas, quanto das altas taxas cobradas pelos bancos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido da palavra comunidade nesse século.
Sobretudo, é fulcral pontuar que a falta de empreendedorismo social deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta de atuação das autoridades, na beneficiação de empresas que participem de projetos que tragam vantagens a sociedade. Em consequência disso, o empresário não enxerga um benefício mútuo, na realização de projetos, em exemplo, de saneamento básico em áreas carentes e, assim, os mais pobres tornam-se reféns da falta de recursos públicos para projetos essências. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura Estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de conscientização dos bancos como impulsionador do problema. De acordo com uma pesquisa publicada no portal de notícias G1, o Brasil tem as maiores taxas de juros e burocracia cobradas pelos bancos, se comparadas com a de outros países em desenvolvimento. A partir desse pressuposto, a dificuldade encontrada pelos mais pobres para se conseguir crédito, visando a abertura de um negócio, faz com que a economia continue na mão dos grandes empresários, o que é prejudicial ao crescimento econômico social de um país, pois pequenas empresas geram empregos e circulação de capital nas comunidades carentes. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que os altos juros contribuem para a perpetuação desse quadro deletério.
Portanto, é possível defender que impasses econômicos e sociais constituem desafios a se superar. É fundamental, em vista disso, que o Poder Legislativo, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que regulem as taxas de juros, por meio de adequações, para que não passem a infração anual, com intuito de que pequenos investidores possam obter crédito com facilidade. Esse benefício trará um investimento maior nas comunidades, com isso, grandes empresas irão competir por projetos de melhoria social. Desse modo, atenuar-se-á o impacto nocivo da pobreza e a coletividade contornará a Cegueira Moral de Bauman.