O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 09/10/2019
A ideia de justiça postulada pelo filósofo grego Aristóteles está intimamente ligada ao conceito de igualdade. Sob essa ótica, o empreendedorismo social representa para os segmentos sociais de baixa renda uma opção capaz de transformar ou modificar a realidade por meio de ações transformadoras que promovem melhores condições de equidade. Logo, é primordial incentivo ao surgimento de tal modelo de negócio, que se faz relevante com o uso das inovações digitais para atender às demandas sociais de uma comunidade.
Convém destacar, a princípio, que somente o poder público não é capaz de atender à todas as demandas coletivas da sociedade. De fato, conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil ainda enfrenta problemas sociais relevantes, como por exemplo o déficit habitacional ou a formação deficiente dos alunos brasileiros oriundos do ensino público. Nesse contexto, a iniciativa privada assume a responsabilidade de ajudar o Estado em seu desenvolvimento social. Com efeito, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas identificou mais de 800 negócios de impacto social no país, dos quais uma relevante parcela atua nos setores da educação e construção civil. Todavia, por ser uma proposta nova no mercado, esse modelo de negócio surge diante do desafio de atrair e captar recursos para a realização de seus objetivos.
Outrossim, o uso da tecnologia nas causas sociais tem se popularizado nos negócios de impacto. Por certo, as tecnologias de informação e comunicação ampliam o alcance de tais ações mediante o contato com possíveis investidores, uma estratégia nomeada financiamento coletivo, em redes sociais e sites voltados para o público empreendedor. Ademais, a base tecnológica é uma importante aliada na estratégia de marketing digital, que abrange as relações públicas de determinada iniciativa social, e permite promover o serviço ofertado para todo o público com acesso à tecnologia.
Diante disso, é imprescindível que a atuação do empreendedorismo social seja incentivada. Portanto, cabe ao Estado criar um órgão de apoio ao desenvolvimento de projeto sociais, que deverá ser responsável pelo repasse de verbas realizado mediante a análise cuidadosa das propostas das iniciativas a fim de oferecer subsídios aos investimentos de impacto e ampliar sua ação social. Além disso, haja vista que boa parte da população ainda não tem acesso às redes de informação, deve o Ministério da Ciência fortalecer o acesso à tecnologia nas comunidades carentes, mediante a instalação das redes tecnológicas nos locais de baixa renda, com o intuito de possibilitar o contato com os modelos de negócios que utilizam as inovações digitais como principal meio de atuação. Dessa forma, espera-se que o ideal aristotélico de justiça se torne uma realidade em todos segmentos sociais.