O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 01/10/2019
O compromisso humanitário de uma sociedade para com os menos favorecidos é um aspecto louvável nas relações que constituem o espectro das relações humanas. Um dos fatores mais extraordinários do empreendedorismo social, principal protagonista no combate à progressão da pobreza no Brasil, é ele poder se basear em fatores tidos como ‘’triviais’’ para mudar o panorama da vulnerabilidade financeira no país, tais como a equiparação aquisitiva de elementos básicos e, por outro lado, a capacitação profissional de menores em situação vulnerável.
Decerto, o impacto da compra, essencialmente em setores básicos como o alimentício, pode parecer mínimo para famílias de classe média ou alta. No entanto, com a conversão do salário líquido em salário bruto (após o desconto do valor de medicamentos, impostos e eventuais dívidas) em famílias de baixa renda, a aquisição de alimentos pode acabar comprometida não apenas em termos de qualidade, mas de quantidade -vale lembrar que, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil ainda tem números expressivos no que concerne a epidemia da fome. Em razão disso, o SESC (Serviços Social de Comércio) criou o projeto Mesa Brasil, responsável por distribuir alimentos, especialmente os rejeitados em decorrência de sua aparência física, mas ainda em bom estado para consumo, para pessoas em estado de pobreza ou qualquer encargo de vulnerabilidade, fator que elimina um grande degrau de disparidade entre pobres e ricos: a alimentação.
Outrossim, prover jovens em situação de vulnerabilidade de oportunidades e experiências que os orientem profissionalmente, de maneira a remediar a propagação da pobreza, especialmente em pequenas comunidades, é um grande aliado no combate à perpetuação da pobreza no Brasil. A Orquestra do Amanhã, projeto que envolve o ensino de música clássica a jovens do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (e em atuação desde o ano de 2010), é um dos mais meritórios esforços da iniciativa privada em construir uma sociedade menos desigual e injusta.
Desse modo, apesar do esplêndido trabalho social realizado por iniciativas do empreendedorismo humanitário, ainda são bem-vistas medidas que promovam o alcance e visibilidade desses projetos. Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio de incentivos fiscais a órgãos e secretarias estaduais de cultura, além de patrocinar substancialmente, viabilizar a instalação de mais projetos como o Mesa Brasil e Orquestra do Amanhã em localidades mais carentes ao redor do Brasil, de maneira a mitigar não apenas os presentes efeitos da pobreza no país, mas prevenir a infiltração e alastramento dessa mazela na sociedade brasileira.