O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil

Enviada em 27/10/2019

Segundo a Carta Magna do Brasil, a erradicação da pobreza e das desigualdades sociais é um dos objetivos que guiam a tomada de decisão dos agentes públicos. Dessa maneira, o empreendedorismo social configura-se como uma importante ferramenta para atingir esse objetivo, haja vista que essa ideia promove o desenvolvimento econômico atrelado ao fator social. No entanto, percebe-se que esse projeto de economia enfrenta resistências devido à inércia das instituições de ensino no que tange a educação de um capitalismo social, bem como pelo difícil acesso ao capital.

Em primeira análise, é importante ressaltar que a carência de uma educação empresarial que trate da inclusão dos mais pobres, dentro das escolas e universidades, dificulta que o empreendedorismo social seja uma realidade no Brasil. Segundo Paulo Freire, a educação é uma importante ferramenta para mudança da sociedade. Nesse aspecto, percebe-se que a instituições de ensino não estão cumprindo seu papel, visto que não há debates que visem transformar o pensamento dos estudantes. Dessa forma, para estimular um modelo econômico que promova o bem comum e a redução da miséria, é necessário reformular a educação do cidadão brasileiro, de forma a romper com os padrões econômicos vigentes e implantar uma concepção social da produção.

Ademais, é fato que as taxas de juros, no Brasil, ultrapassam qualquer caráter de razoabilidade. Nesse sentido, para que os projetos de negócios sociais saiam do plano das ideias e se tornem concreto, é necessário o acesso ao capital. Contudo, devido a ganância desmedida das instituições financeiras, estipulando juros que chegam até trezentos por cento ao ano, os recursos financeiros tornam-se de difícil acesso e reduzem drasticamente a chance de um negócio social, que não possui altas taxas de lucratividade, se tornar realidade. Por essa lógica, destaca-se a incompetência do Banco Central do Brasil (BACEN), como instituição pública reguladora, em garantir, a preço justo, a disponibilidade de dinheiro para o empreendedorismo social.

Infere-se, portanto, a necessidade de reverter esse quadro. É importante que o Ministério da Educação, promova a reformulação da grade curricular do ensino médio, bem como dos cursos de nível superior. A nova matriz deverá conter a inclusão de disciplinas de empreendedorismo social. Nesse sentido, deverão ser realizados debates na sala de aula, entre alunos e professores, sobre a importância da construção de empresas que mudem a realidade de pessoas carentes. Além disso, essa disciplina deverá cobrar dos alunos um projeto, onde eles deverão realizar, junto com a instituição de ensino, a idealização de uma pequena empresa de cunho social. Dessa forma, é possível que os alunos entendam a importância do capitalismo social e, futuramente, efetivem os objetivos da Carta Magna.