O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 01/11/2019
“Terrível é o passado ou pior é o presente”. O fragmento do poema “saudações aos que vão ficar”, do poeta Millôr Fernandes, alinha-se com o atua cenário de discrepâncias no combate à pobreza no Brasil, que ganha amparo na ausência de efetividade das políticas públicas existentes. De fato, uma problemática irrigada pelo silêncio do meio midiático e, por conseguinte, a passividade do Poder Público.
Nessa dimensão, o primeiro vetor aponta para a omissão midiática. Não raro, a pouca massa publicitária envolta de anúncios, propagandas televisivas e mídias sociais corrobora para uma mentalidade passiva da coletividade diante das transcendências dessa mazela, que afeta diretamente na qualidade de vida dos menos abastados. Tal fato se relaciona com o pensamento do teólogo Erasmo de Roterdã “Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável”, quando a comunidade permanece inerte no “hábito” do desmazelo. Dessa forma, se a mídia não instruir cautela, o efeito paira no compromisso social.
Outrossim, sinaliza o desastroso papel que o Estado promove no tocante a essa temática. Segundo o IBGE, o Brasil possui cerca de 15,2 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, dado que revela o descaso estatal para com os mesmos, transparecendo a displicência em relação ao artigo 3 da Constituição Federal, que deixa claro o dever da Ordem pública de reduzir as desigualdades sociais. Ora, se o olhar político ainda persiste distante, as mazelas tendem a progredir.
Depreende-se, portanto, repensar e agir no combate à pobreza com o empreendedorismo social. Logo, cabe à mídia promover propagandas para que, por meio de profissionais capacitados, a população seja incentivada a participar de ações com o intuito de minorar essa problemática. Outro agente é o Poder Público, que deve investir com plenitude no melhoramento e criação de ações governamentais com fito de mitigar as disparidades econômicas e sociais do país. Assim, o que há de “terrível” nessa temática ficará apenas no passado.