O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil

Enviada em 26/11/2019

Apresentado pelo programa de reportagens especiais-Globo Repórter -“Kreuzberger Himmel”, é um restaurante alemão localizado na cidade de Berlim que emprega refugiados vítimas da pobreza extrema de seus países. Nesse sentido, a empresa os acolhe, oferece treinamentos para trabalhar no local e depois os encaminha para obterem melhores oportunidades profissionais. Fora do contexto europeu, a iniciativa apresenta-se como distópica em relação a realidade brasileira da contemporaneidade: gradativamente, a mentalidade capitalista perpetua na sociedade inibindo o desenvolvimento de atitudes empáticas nas empresas do país.

Segundo Karl Marx, em sua obra “O capital” a finalidade última dos grandes proprietários da atualidade se baseia primordialmente na obtenção em lucros. Isto é, o desenvolvimento social é secundário. Nesse cenário, é válido ressaltar a onda de imigração que o país vem recebendo nos últimos meses da vizinha sul-americana Venezuela: ao invés de as empresas e micro empresas se solidarizarem com a situação de crise econômica e social que nossos vizinhos estão vivenciando, e que por sua vez os obrigam a deixar seus lares em busca de melhores condições, estas contundo os tratam com apatia e indiferença. Haja vista que não oferecem programas de inclusão em seus estabelecimentos, além de não oportunizar aqueles que as procura em busca de empregos.

Somado a isso, segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, vivemos em um estado de guerra-onde o Estado emerge com a função de garantir a paz e a ordem. Entretanto, na medida em que se faz análise de políticas segregacionistas que ainda permeiam grande parte dos cenários de instituições privadas- as quais excluem mulheres que têm filhos, pessoas com idades superiores a média, portadores de deficiência, moradores de rua ou ex-presidiários conclui-se a demasiada inoperância vigente do Estado. Que por sua vez, viola o contrato social de Hobbes. Uma vez que, é de responsabilidade da União intervir nesses casos.

Portanto, a fim de incentivar iniciativas como a do restaurante de Berlim no país, é fundamental a protagonização do Estado. Diante disso, cabe ao Congresso Nacional promover mais investimentos nas empresas e microempresas do país- mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias- as quais desenvolverão projetos com o intuito de beneficiar pessoas marginalizadas com empregos que ofereçam a possibilidade desses indivíduos se ascenderem socialmente e mudarem o curso de suas histórias. Propostas que por sua vez, estimulem a continuação nos estudos, a prática de hábitos saudáveis e o estimulo a cultura. Com isso, busca-se deixar de ferir o contrato social de Hobbes além de promover o desenvolvimento social do país.