O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 31/01/2020
A “Revolução do Bichos”, fábula de George Orwell, conta a história de animais que lutam contra um cenário de miséria e pobreza. De semelhante modo, para sair de uma situação conflitante de crise, parte da população brasileira tem utilizado o artifício de empreender como forma de enfrentamento da pobreza e marginalização social. Sem estratégias financeiras, no entanto, o brasileiro sofre com a ineficiência das políticas do governo, com a pouca orientação e com o apetite voraz de um sistema desigual.
Em primeiro lugar, cabe destacar que em um cenário de crise, como o atual, as diferentes formas de trabalho se sobressaem. O empreendedorismo social, nesse contexto, se faz presente trazendo como consequências óbvias a informalidade, que avançou em 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, chegando a inserir 41% dos trabalhadores no Brasil. Nesse sentido, tal modalidade traz o revés de não conseguir arcar com os benefícios de seguridade, justamente pelo alto custo de manter um empreendimento no país. Assim, não há acesso do trabalhador aos ganhos efetivos e aos frutos do trabalho operário, como sugere o princípio de Locke, relegando-o à vulnerabilidade. O sistema, tal como posto, reproduz as mesmas desigualdades e anomias da sociedade.
Por outro lado, cabe destacar que não há investimento governamental em educação empreendedora para a população. Nesse sentido, focar na diversidade, encontrar a inspiração para inovação nos negócios a partir das peculiaridades locais, nas múltiplas necessidades dos indivíduos, na identidade e na vocação de cada comunidade, é mais que incentivar uma região, é desenvolver a nação. Para isso, faz-se necessário implementar uma educação consciente e transformadora de realidade, conforme afirma Paulo Freire, que alie leitura de mundo com estratégias eficazes de empreendimento, logrando êxito.
É fundamental, portanto, para resolução desse quadro, que haja a formulação de projetos de desburocratização para pequenos e médios empreendimentos, por meio do Poder Legislativo nacional, que conceda subsídios e incentivos fiscais aos micro e pequenos empreendedores, promovendo a formulação de negócios locais e desenvolvimento das diversas regiões do país. Bem como a instituição de assessorias financeiras e capacitação empreendedora gratuita, por meio de equipes do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio as Empresas), levando formação, apoio e sobretudo, educação financeira à população-alvo, transformando, assim, realidades e promovendo uma verdadeira revolução, aquela que muda pobreza, miséria e trajetórias de vida.