O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil

Enviada em 02/04/2020

O capitalismo financeiro tem como base a comercialização de bens e serviços visando o lucro. Em contrapartida, o empreendedorismo social é uma rede de empresas e empreendedores que trabalham em função de atingir resultados positivos para com a sociedade. Não que a intenção não seja lucrar, mas sua preocupação é voltada também em solucionar problemas sociais que influenciam toda a população, mesmo que, grande parte das vezes, apenas indiretamente. Em um país como o Brasil, mergulhado em uma enorme desigualdade social, esse tipo de serviço pode ser usado como ferramenta essencial no combate à pobreza e diferença de classes.

De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o Brasil está localizado no topo do ranking mundial de empreendedorismo; mostra ainda que três em cada dez brasileiros adultos entre 18 e 64 anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. Embora o lucro seja uma parte fundamental do trabalho, é necessário uma visão mais ampla e uma maior preocupação com o restante da população. Segundo o relatório do Banco Mundial, a pobreza atinge 21% da população brasileira, evidenciando a má distribuição de renda entre as classes sociais. O empreendedorismo social, por sua vez, abre portas para que haja a integração e qualificação do trabalho por parte de camadas sociais mais vulneráveis, gerando assim, uma melhor qualidade de vida aos necessitados.

Ademais, uma das principais vantagens da inserção de grupos de baixa renda na cadeia produtiva é a movimentação gerada na economia. À medida que aumenta o número de pessoas no mercado de trabalho, há também um aumento no poder de compra e que, consequentemente, crescerá a venda e o lucro das demais empresas, beneficiando a sociedade como um todo.

Dito isso, fica claro a necessidade de mudanças que colaborem no combate à pobreza no país. O empreendedorismo social pode ser usado como um meio fundamental para aliar o avanço econômico e lucrativo com a melhoria na qualidade de vida e autossustentabilidade das populações carentes. Para que isso se efetive é necessário que o Estado reduza os impostos de empresas cuja produção está vinculada com o benefício da comunidade, pois, desse modo, essas companhias são estimuladas financeiramente a continuar seus projetos sociais, melhorando a própria produção e, principalmente, diminuindo situações de miséria. Além disso, é importante que haja divulgação, por parte dos mais relevantes meios de comunicação, do trabalho social realizado por essas empresas, com o intuito de chamar a atenção para esse tipo de projeto, e quem sabe assim, atrair outras corporações que estejam dispostas a ajudarem também.