O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 20/06/2020
Irineu Evangelista de Souza, Visconde de Mauá, notabilizou-se na história do Brasil pelo caráter de investidor, o que se ilustra pelo trabalho no Banco do Brasil e pela construção da primeira estrada de ferro. Seu espírito empreendedor deve servir de exemplo no contexto atual, visto que a maioria dos brasileiros encontram-se distantes de tal postura. Com efeito, o acesso privilegiado a esse mundo empreendedor e a ausência de incentivos por parte das instituições de ensino são problemas a serem solucionados na seara atual.
Em primeiro plano, é necessário reconhecer que as competências empreendedoras tendem a ser desenvolvidas pelas classes privilegiadas economicamente. A esse respeito, pode-se traçar um paralelo com o conceito de “capital cultural” do sociólogo Pierre Bourdieu, no qual um indivíduo de classe mais favorecida, por possuir uma carga de informações, valores e atividades culturais adquiridas desde a infância, consegue maior destaque socialmente. Nesse sentido, é notório que as classes dominantes possuem mais acesso ao mundo empresarial, à linguagem de marketing, construindo um currículo que incorpora saberes propícios ao empreendedorismo. Assim, os empreendedores por oportunidade, devido ao poder econômico e estratégico, sobressaem-se a empreendedores por necessidade e, consequentemente corrobora a manutenção da pobreza.
De outra parte, é preciso destacar como as instituições de ensino não têm sido capazes de corrigir tais disparidades. Nesse viés, Edgar Morin propõe a transdisciplinaridade, a qual visa a construção de competências que sejam relevantes à vida social do educando. Todavia, essa ideia ainda não é aplicada, já que nos componentes curriculares das escolas brasileiras não se exploram conhecimentos os quais possibilitam ao estudante atingir a competência empreendedora, preparando-o para o mercado de trabalho. Dessa maneira, forma-se uma população incapaz de desenvolver uma cultura empreendedora.
Urge, portanto, democratizar o acesso ao conhecimento empreendedor. Dessa forma, o Ministério da Economia deve promover unidades itinerantes, compostas por profissionais da área econômica, para estarem presentes nos bairros carentes prestando atendimento à população, através de colóquios e debates acerca do mundo empreendedor, a fim de formar cidadãos conhecedores do mundo empresarial. Ademais, o Ministério da Educação pode elaborar um amplo programa de construção de cultura empreendedora, a partir de inserções curriculares, na educação básica, de uma disciplina obrigatória na qual sejam desenvolvidas essa competência. Dessarte, será possível um Brasil composto por uma sociedade com o mesmo espírito empreendedor de Visconde de Mauá.