O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No livro “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, são narradas as dificuldades de um ambiente hostil e deplorável que caracterizam a vida de Fabiano e sua família, especialmente ao retratar a miséria e a questão da invisibilidade social. Nesse sentido, a obra reflete como a pobreza está presente em grande parte das famílias brasileiras, o que permite analisar a importância de combater essa situação desuma-na e ainda presente na contemporaneidade. Assim, é válido compreender a pobreza tanto como uma consequência da negligência social e estatal, quanto do modelo econômico vigente atualmente.
Em primeiro lugar, é necessário refletir como a pobreza e a miséria se relacionam com o descaso do Estado e da própria sociedade. Dessa forma, nota-se que a escassez de políticas públicas e de en-gajamento social voltados para o combate a tal situação apenas acentua essa condição desumana. Por conseguinte, tem-se um expressivo número de pessoas que enfrentam problemas como a fome, a falta de água potável e de saneamento básico, por exemplo, conforme dados divulgados pelo IBGE em 2019. Em decorrência disso, percebe-se que essa situação fere os princípios da Constituição de 1988, que garante o acesso aos direitos fundamentais - como alimentação e moradia - a toda a população, o que apenas afirma a negligência estatal e até mesmo social presentes na sociedade contemporânea.
Outrossim, também é válido analisar a pobreza como uma consequência direta do modelo econô-mico vigente na atualidade: o capitalismo. Nessa perspectiva, percebe-se que esse modelo socioeconô-mico é responsável por proporcionar e acentuar a desigualdade social, bem como a segregação socioespacial. A fim de explicar essa questão, pode-se citar o documentário “Encontro com Milton Santos”, já que o geógrafo e sociólogo explica como o capitalismo e a globalização atual são responsá-veis pela banalização e normalização da pobreza, o que apenas dificulta a solucionar esse problema devido a falta de engajamento das grandes empresas e da sociedade.
Portanto, é evidente a necessidade de combater a pobreza e a miséria que ainda estão presentes na sociedade. Por isso, é imprescindível que o Ministério da Economia auxilie no combate à indigência que persite nos grupos de maior vulnerabilidade social. Isso deve ser feito por meio de incentivos fiscais às empresas que converterem parte de seus lucros para causas sociais que mitiguem essa situação, a fim de reduzir a condição de miséria e pobreza vivenciada por um número expressivo de indivíduos. Desse modo, será possível garantir os direitos básicos a esse grupo social, conforme é previsto pela Constituição. Ademais, também é necessário que as grandes empresas, por meio das mídias sociais, promovam campanhas de engajamento social que auxiliem no enfrentamento dessa situação e, assim, reduzam o números de indivíduos que vivem em condições análogas as de Fabiano e sua família.