O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 31/07/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o combate à pobreza apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do alto índice de concentração de renda, quanto da desigualdade social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas social e econômica, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata. Precipuamente, é fulcral pontuar que a indigência deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, o alto índice de concentração de renda mostra que mais de 27% da renda está concentrada nas mãos de apenas 1% da população. Thomas Piketty, um economista francês, promoveu uma pesquisa envolvendo vários países do mundo. Nessa pesquisa, o Brasil apresenta mais desigualdade que os países árabes, em que 26% da renda total estão concentrados nas mãos de 1% da população.
Ademais, é imperativo ressaltar a desigualdade social como promotor do problema. De acordo com o IBGE a concentração de renda aumentou em 2018, reforçando a extrema desigualdade social no país. O rendimento médio mensal de trabalho da população 1% mais rica foi quase 34 vezes maior que da metade mais pobre em 2018. Partindo desse pressuposto, é perceptível que a desigualdade social causa problemas como o aumento da pobreza absoluta, miséria, má qualidade na alimentação e más condições de moradia. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a distância que separa as classes sociais mais ricas das mais pobres contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a pobreza extrema existente no Brasil, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio de empreendedores sociais, será revertido em lucro, através da criação de um negócio, onde o seu maior objetivo não será gerar lucro financeiro, mas sim buscar promover a qualidade de vida das pessoas que estão envolvidas, na atual situação de indigência do Brasil. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da pobreza na sociedade, e a coletividade alcançará a Utopia de More.