O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 31/07/2020
Desde o iluminismo, a sociedade compreende o progresso como fruto da mobilização com o problema do outro. Portanto, o empreendedorismo social empregado no combate à pobreza representa uma ferramenta de desenvolvimento, na medida que busca valor na forma de benefícios transformacionais em grande escala, que se acumulam em um segmento significativo da sociedade. Nesse sentido, convém analisar as principais causas da falta de incentivo nessa área por parte dos indivíduos, visando a prosperidade de uma nação.
Devido ao artigo sexto da Constituição Federal, a incumbência do amparo à parcela carente populacional é estatal, o que justifica a massiva carga tributária brasileira. No entanto, essa política assistencialista se mostrou, ao longo do tempo, exígua e insuficientemente abrangente. Sob essa ótica, o empreendedorismo social se torna necessário, como também, dificultado pela subtração de recursos destinados ao pagamento de impostos. Tal afirmação é embasada através do estudo do Instituto do economista Ludwig Von Mises, que comprova o efeito de diminuição da caridade e solidariedade em proporção com a carga tributária, uma vez definida a não existência do “dinheiro ocioso” (caso não destinado ao governo, o dinheiro teria diferentes fins).
Outrossim, de acordo com o economista americano John Maynard Keynes, a verdadeira dificuldade não está em aceitar ideias novas, mas escapar das antigas. Em outros termos, no cenário hodierno, o principal impedimento para o fomento dos investimentos do empreendedorismo social é a falta de um expressivo retorno financeiro em forma de lucro para os investidores e apoiadores. Sob um contexto capitalista, resgatar pessoas em situações de risco social e promover a melhoria de sua condição de vida na sociedade traz a possibilidade de promoção da reputação de um indivíduo ou empresa, todavia, caso não seja alcançado o devido reconhecimento, não há motivos suficientes que sustentem a agenda beneficente, e analogamente, não escapam das “ideias antigas” referidas por Keynes.
Destarte, verifica-se que o ideal iluminista não é desejavelmente constatado na prática, uma vez que a lógica capitalista se sobrepõe à mobilização coletiva em prol da pobreza existente no país. Em razão deste fato, é míster que o Ministério de Economia conceda incentivos e facilitações burocráticas aos cidadãos brasileiros interessados em dedicar de seu tempo e investimento para contribuir com o meio onde vive. Por meio de verbas públicas muitas vezes utilizadas para políticas assistencialistas, o investimento específico no empreendedorismo social tem maior potencial de retorno que outras políticas públicas, uma vez que também contribui para a inclusão social de pessoas que seguidamente são marginalizadas da sociedade.