O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil

Enviada em 14/09/2020

O programa “Pequenas Empresas Grandes Negócios”, exibido na emissora Globo, tem como objetivo compartilhar histórias de microempreendedores de sucesso. Nesse contexto, torna-se evidente o quanto o incentivo ao empreendedorismo social favorece a população por se apresentar como uma forma de modificar a realidade por meio de ações transformadoras. Logo, é primordial a necessidade de incentivar tal modelo de negócio, não só pela melhoria econômica que ele propõe, mas também pela ressignificação da cadeia produtiva que configura.

Em primeira análise, é importante citar que apesar do direito à seguridade econômica ser previsto pela Constituição Federal, o Poder Público é ineficiente em atender todas as demandas da sociedade. Nesse sentido, o incentivo a práticas de produção e desenvolvimento a partir do investimento de empresas privadas se apresenta como uma alternativa de melhoria da qualidade de vida a muitas pessoas. Analogamente, pode-se citar a Feira Preta, que ocorre em São Paulo, expondo projetos culturais produzidos por minorias étnicas, a partir do investimento de empresas como a loja Magazine Luiza. Sob essa perspectiva, é indiscutível que além de conceder a permanência de diversos grupos sociais no cenário econômico, tal ação proporciona a melhoria na qualidade de vida que o Estado falha em conceder, e por esse motivo deve ser estimulada no Brasil.

Em segunda análise, é notório que a ressignificação do modo produtivo também é um dos benefícios do empreendedorismo social. Nesse prisma, contraditoriamente ao capitalismo, instaurado desde o Período Pós-Guerra, o empreendedorismo social se apresenta como uma alternativa de produção baseada no beneficiamento da população local, na busca por uma sociedade mais solidária e justa. Consoante a isso, para Émile Durkheim afirma que sem solidariedade não há vida social, pois a sociedade é marcada pela consciência coletiva. Nessa perspectiva, corporações como o Instituto Chapada, que trabalha com ações de melhoria da educação em algumas regiões do estado da Bahia, contrariam a estrutura capitalista histórica do país e, em contrapartida, proporcionam o desenvolvimento da região ao expandir as oportunidades para estudantes locais de baixa renda.

Diante dos fatos supracitados, fica claro que esse modelo de negócio deve ser incentivado no país. Para isso, o Ministério do Trabalho, em parceria com a iniciativa privada, deve criar um órgão responsável pelo apoio, análise e desenvolvimento de projetos de empreendedorismo social, promovendo a construção de espaços físicos e a compra dos materiais necessários. Tal medida deve ser efetivada por meio do repasse de verbas estatais e o incentivo à isenção fiscal, a fim de conceder subsídios aos investimentos de grande impacto, como o Instituto Chapada. Assim sendo, o intuito de tal medida é proporcionar a melhoria da qualidade de vida entre a população o desenvolvimento econômico do país, para que os contextos apresentados em “Pequenas Empresas, Grandes Negócios” seja multiplicado na realidade do Brasil.