O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil

Enviada em 29/10/2020

Saúde, educação, renda. Esses são os parâmetros utilizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para determinar o IDH de um país, dentre os quais está o PIB per capita, que vale R$ 34.533 no Brasil. Contudo, apesar de elevado, esse número não considera a extrema desigualdade entre os poucos milionários e a imensa população vulnerável. Sob tal ótica, o empreendedorismo social é imprescindível para o combate à pobreza no Brasil, mas tem encontrado dificuldades no individualismo e no baixo apoio do Estado.

Inicialmente, o egocentrismo colabora para a falta de iniciativas sociais. Em consonância com Zygmunt Bauman, vive-se a “Modernidade Líquida”, caracterizada pelo egoísmo e hedonismo dos indivíduos, que buscam mais o seu próprio prazer do que auxiliar o próximo. Diante disso, a prevalência desse tipo de sentimento na sociedade faz com que os casos de empresários preocupados em criar projetos de ajuda a sua comunidade local se tornem a exceção. Nesse sentido, a luta pela erradicação da miséria, que já assola 6,7% dos brasileiros, conforme dados de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vê-se prejudicada pela busca somente pelo lucro e a falta de filantropia das pessoas com os recursos e as ideais necessárias.

Outrossim, a precaridade de financiamentos do poder público no empreendedorismo social atrapalha o seu avanço. De acordo com John Keynes, é papel do Estado atuar como um regulador da economia, fornecendo os meios necessários para o seu desenvolvimento, diminuição das desigualdades e promoção da qualidade de vida. Dessa forma, frequentemente, ele não consegue cumprir com as suas funções e, nesse cenário, o investimento no setor privado aparece como uma opção capaz de gerar bem-estar, porém essa parceria não acontece na amplitude necessária. Por conseguinte, a falta de incentivos estatais para “startups” que visam a conciliação entre o ganho de lucro e a resolução de questões sociais atrapalha no crescimento desse trabalho e, por causa disso, no combate à pobreza.

É mister, portanto, tomar medidas que estimulem a criação de empresas que busquem combater à miséria e às mazelas sociais do Brasil. Logo, cabe ao Poder Executivo municipal favorecer e facilitar a criação de novas “startups” altruístas, bem como a permanência das já existentes, por meio da criação de incentivos fiscais, como a redução na taxação de impostos desses estabelecimentos e a implementação de subsídios que tornem os seus serviços mais acessíveis. Ademais, deverá haver a veiculação de propagandas que exponham esses benefícios. Espera-se, assim, incentivar mais pessoas a aderirem a esse tipo de empreendedorismo e ajudar o seu desenvolvimento.

Capitais de Pierre bourdieu

Egoísmo de Bauman

IBGE