O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil
Enviada em 28/10/2020
No filme “Parasita”, vencedor do Oscar 2020, são apresentadas não só as diferentes condições de vida entre as famílias Kim, pobre, e Park, da elite empresarial, mas também atitudes extremas tomadas na busca por ascensão social. Apesar de ser destacada, na ficção, uma relação antagônica entre as classes extremas, na realidade, há práticas de responsabilidade social que, assumidas pelo ramo do empreendedorismo, podem contribuir no combate à pobreza. Entretanto, para se concretizar essa ideia, desafios como o foco no lucro e o desmazelo com o coletivo, típicos desse meio, devem ser superados, a fim de se controlar os problemas relacionados à precariedade financeira no Brasil.
Essa lógica de priorização da lucratividade advém, principalmente, do sistema capitalista vigente e desestimula o empreendedorismo social. Nesse sentido, é comum que os grandes proprietários obedeçam a um ideal de enriquecimento por meio de trocas, majoritariamente, comerciais, negligenciando, muitas vezes, problemas sociais do grupo a que pertencem. Porém, como bem é abordado por Edu Lyra, fundador do Instituto Gerando Falcões - organização sem fins lucrativos voltada para a profissionalização e promoção social de jovens -, trocas de experiência, ideias e culturas também agregam valor e podem ser proporcionadas pelo trabalho social. Assim, é preciso abandonar o individualismo e rever princípios focados apenas no ganho financeiro.
Ademais, nota-se que a falta de negócios sociais de combate à pobreza acaba fomentando questões como a criminalidade, que é uma das consequências dessa mazela. A esse respeito, a Constituição Cidadã brasileira garante à população direitos sociais como alimentação, moradia, transporte e saúde, que são fundamentais à luta pela dignidade humana. Contudo, na prática, muitos não desfrutam desses bens, o que pode implicar no aumento de atos ilegais, como roubo e sequestro, entre aqueles que estão à margem da sociedade buscando sobreviver. Fica claro, dessa forma, que, podendo ser alvo dessa violência, a classe empreendedora também é afetada pela desigualdade social brasileira e, por isso, não pode se alienar desse problema.
Logo, é necessário incentivar a aplicação do empreendedorismo social como ferramenta de combate à pobreza no Brasil. Para tanto, a Iniciativa privada deve ampliar o contato com as comunidades mais carentes, buscando direcionar uma maior atenção para os problemas ligados à miséria de indivíduos ao seu entorno, a fim de que se crie oportunidades para recuperação socioeconômica desses. Isso deve ser feito por meio da criação de cursos técnicos, investimentos em ONGs dessa área, ofertas de emprego e projetos nas escolas mais precárias. Com isso, a sociedade poderá se desenvolver como um todo e se afastar de um fim trágico, decorrente desse abismo social, como o da ficção.