O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil

Enviada em 02/12/2020

A Constituição Federal de 1988 garante aos indivíduos direitos plenos de dignidade. No entanto, isso não ocorre de forma efetiva, uma vez que permeia a desigualdade social e o Estado é ineficaz no combate aos males existentes. Com isso, surge o empreendedorismo social, que propõe a construção de negócios cujo maior impacto são melhorias na sociedade. Dessa forma, é necessário impulsionar esse tipo de ação, uma vez que pode ajudar no combate à pobreza. Logo, é preciso que o Estado corrobore com esse tipo de iniciativa e as empresas visem o desenvolvimento social.

A priori, é necessário frisar que para o empreendedorismo social ganhar espaço e se propagar de forma ampla é preciso o apoio do poder estatal. Nesse viés, como o Governo sozinho não está sendo eficiente no suprimento da pobreza, é necessário que ele alie-se com projetos que impulsionem o desenvolvimento. Nesse contexto, o Estado pode estimular esse tipo de ação no Brasil, como, por exemplo, concedendo incentivos fiscais e a criação de linhas de crédito especiais para negócios sociais. Segundo o pensamento do sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade comporta-se como um grande organismo social, cujas partes devem funcionar em harmonia em prol do bem-estar comunitário. Assim, é preciso a promoção de instituições que possuam como objetivo principal a erradicação das desigualdades no país para o bem comum.

Ademais, é necessário desmistificar o conceito de empreendedorismo ligado apenas ao lucro e rentabilidade individual. Isso porque muitas empresas privadas não vem retorno em promover projetos de desenvolvimento social e seguem a premissa do capitalismo. Segundo relatório do Banco Mundial, a pobreza atinge 21% da população brasileira -  o que evidencia a falta de manejo público privado satisfatório para melhorias nas condições básicas tanto de assistência quanto de oportunidades. Assim, o empreendedorismo social surge como uma saída para esse problema, uma vez que pode atuar de diferentes formas, como o Festival Feira Preta, maior evento de cultura e empreendedorismo negro da América Latina, que reúne empreendedores negros para mostrarem seus produtos e criatividade em diversos segmentos. Assim, é possível oferecer oportunidade de emprego e renda.

Portanto, visto a importância do empreendedorismo social no combate à pobreza, são necessárias medidas que estimulem essa ação. Para isso urge que o Estado conceda isenções fiscais às empresas que promoverem ações de cunho social, por meio de redução na taxação de impostos e fornecimento de subsídios para tornar os produtos mais acessíveis, a fim de incentivar as empresas a empreenderem socialmente. Além disso, deve promover campanhas midiáticas, para dar visibilidade a esses projetos e fomentar o interesse nos consumidores em adquirir de empresas que tenham responsabilidade social.